Lojas Americanas

Estava imersa em uma tarde na companhia do tédio, regado com muito bolo de cenoura e rede Globo. Mas não, não me pergunte o que se passava na Sessão da Tarde, porque não saberei dizer e não chutaria nada além de Lagoa Azul... bem, eu poderia acertar, né?

Não estava “ligada” no que se passava na tevê e...ai, ligada! Que termo eletrodoméstico!
Não estava atenta ao que acontecia soa melhor. Enfim, não estava atenta ao que acontecia na tevê, pois comecei a divagar mentalmente sobre as lojas Americanas. Sim, as Americanas!
Ou melhor: aaah, as Americanas!
Acho que não sou uma maníaca sexual obcecada por americanas, por isso é bom frizar a letra maiúscula da coisa toda. Também é preciso frizar que, infelizmente, não estão me pagando pra fazer propaganda de lugar nenhum. Portanto, conclui-se que sou realmente inútil.

Pois bem, vamos ao bacanal de inutilidades pessoais, já que esse é o objetivo de um blog normal, ou quase.

Lojas Americanas e sua cadeia em geral, responsáveis por cerca de cinco dos meus trocentos quilos a mais, com seus chocolates acessíveis e sua promoção de filmes trash que não me deixam tirar a bunda da frente da televisão (não literalmente, claro) em tardes chuvosas.
Mas a que (a quem? O quê? Vá saber!) devo o mérito de um ou dois quilos a menos, devido aos seus cd’s nacionais oitentistas que me fazem pular que nem o boi Bandido parindo. É, eu sei que é geneticamente improvável, mas o que vale é a imaginação de cada um.

Lembro-me de quando as Americanas chegaram na cidade. Promessa de uma variedade imensa de coisas, com preços infalíveis. Como sempre, aprendendo com as Casas Bahia que, por sinal, fazia propaganda de seus produtos no canal local muito antes de ter alguma filial por aqui. Muito antes mesmo.

Cheguei de viagem e fui correndo ver. Um universo de cores vivas, que pareciam dançar aos meus olhos, com suas prateleiras apertadas e vermelhas. Vai ver nem era assim, mas quando a gente afronta o “novo” por um lado positivo, acaba exagerando.
Comprei duas sacolas de chocolates. Morra.

E é tão legal brincar com seus guarda-chuvas e coisas da Fisher Price! Por sinal, preciso dizer que sou uma criança frustrada por não ter nascido na época da Fisher Price e seus brinquedos mágicos e criativos.

Escrevo isso porque não quero que banalize.
Não as Americanas, com “o maior Natal do Brasil” ou seus ovos de páscoa deliciosamente quebrados. Mas a admiração contínua por algo que cansamos de ver.
A banalização de algo aparentemente comum leva a banalização de gestos, pensamentos, pessoas, que levam uma prepotência a lugar nenhum, sei lá.

Parei pra ver o quanto tenho sorte por passear nas Americanas sem precisar roubar um bombom e comê-lo no provador, o que, cá entre nós, é a maior utilidade dos provadores de lá, já que ninguém em seu juízo perfeito vai confiar em cortininhas num lugar aberto.
O quanto tenho sorte (ou destreza) por andar na escada rolante sem tropeçar, AÊ!
O quanto tenho sorte por beber meu café gelado que só o posto de gasolina perto de casa sabe fazer.
O quanto tenho sorte por poder desfrutar de coisas banais.
E, tendo consciência dessas coisas, não as torno banais! Então, usando um neologismo, desbanalizo-as! Desbanalizaremos todos!

Pare pra perceber alguns detalhes que não deviam ter banalizado.
Que o céu não tem nuvens porque Deus tem plantação de algodão transgênico, que o chão que você pisa tem marcas de sapatos, que não há só você no mundo. E, embora eu não defenda isso, se compare aos outros e veja o quão cagado você é por ter um computador. Embora ele também já tenha banalizado, assim como fotos digitais, músicas, beijos, Amélie Poulain e Lojas Americanas.
Uau, sou estranhamente aleatória a cada linha escrita.

É culpa da fantasia de Jack Sparrow das Americanas que eu vi na Globo, ah, se é.


3 comentários:

Anônimo disse...

hahaha ótimo (:
não me lembro quando as Americanas chegaram aqui, e nunca fiquei impressionada com suas prateleiras estreitas, cheias de produtos! Na vdd eu gosto muito da sessão de calcinhas, principalmente para cheirar aquelas com cheirinhos sabe!? oi, acho que sou mais inútil que vc.

beijos anninha <3

Ricardo disse...

Também sou uma criança frustrada por não ter nascido na época da Fisher Price e seus brinquedos mágicos e criativos. E Anna, você NÃO é inútil!!! Seu blog é genial, seus posts são únicos, teria maior orgulho dele :)
De verdade ^^
E acho que uma coisa a se pensar mesmo é que quase tudo está banalizado, né. A violência, o amor, a família, até mesmo os nossos valores parecem estar banalizados. Acho que todo mundo devia ter o seu tipo de visão =/

Thais Bueno disse...

nossa
tudo no mundo esta banalizado. ou quase tudo. ninguem para para observar a vida. nosso cotidiano eh tao corrido q nao paramos para ver o céu, as pessoas...

caminhar devagar numa tarde ensolarada eh impossivel: todos nao temos tempo pra ter esse previlegio.

e sem tempo nao pensamos no q acontece ao nosso redor


e tudo se torna maquinalmente comum aos nossos olhos, nao nos emportando com mais nada.