novela

Pra se ter noção, adiei escrever esse texto porque tava vendo a novela das 21h, assim como milhões de brasileiros (ou não, visto que aqui a novela começa 1 horas depois do resto do país). É impressionante como isso me hipnotiza nos momentos de tédio.
Super meu dia-a-dia, isso tudo.

Sempre vejo essas famílias onde o cara não sabe o próprio nome de verdade e vai casar com uma mulher que ele mesmo roubou, que pariu um filho que mais parece com o do vizinho da outra novela. Favelas onde a violência é repugnante, comandada por um ex caminhoneiro e todos convivem sem drôôgas e como irmãos. Universidades particulares sustentando milheres de bolsas de estudo pra quem nem sequer estuda direito, até pra Narizinho do Sítio do Pica-pau Amarelo. Ah, acontece seeeempre por aqui! Pelo menos é o que eles (sinta a complexidade do "eles", uh) querem que pensemos.

Enchem os meios de comunicação com ladainhas inúteis que jamais acontecerão em nossas vidas, nos distraindo e desfocando nossa atenção para o que realmente importa. É a velha polícia do pão e circo. Com tanta criança sem pai, a Globo quer implantar 2 pra uma só. Além de trepar com ferros, confundindo a novela com o Cine Band Privé. Não, eu não sou moderna o suficiente pra achar isso normal. E também não assisto o Cine Band Privé. Lamento.

Caramba, como sou Duas Caras. Falo mal e tô só esperando a propaganda acabar pra continuar assistindo.
Wow, vinheta d'A Favorita! Quem será que matou o cara?


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busão!

" (...)a indiferença da vida moderna."
Frase que acabei de ler num site.
E aí, percebi que essa semana tem me assustado mais do que o previsto. Mais: essa segunda-feira me assustou muito mais do que o previsto. Mais até do que ler em público no domingo.

Todos sabem que estamos caminhando rumo ao individualismo total, mais do que dizem dos franceses. E o fato de um cara da minha sala ter me negado cola há uns dias nem vai influenciar tanto no texto, há!

Céus, o que diabos estamos fazendo?
Na maioria das vezes, eu entro no ônibus (depois de pseudo sofrer tentando chamar a atenção dos cobradores pro meu cartão de estudante) e não falo com ninguém! Passo minutos e minutos do meu dia do lado de pessoas desconhecidas que, sem saber, influenciariam na minha vida, sem ao menos me manifestar! ISSO É RIDÍCULO!
E eu nem ao menos tento falar, quando percebo o olhar blasé de seja lá quem estiver do meu lado, se achando superior a toda a catinga que se espalha naqueles ônibus fétidos com ar condicionado que só faz gastar combustível e impedir que as pessoas saiam pela porta da frente.

Já que eu não falo, ouço! E que se foda quem não ouve nem fala! Morri.
Tava lá, torcendo pra que ninguém sentasse do meu lado pois odeio me distorcer toda pra conseguir sair daquelas cadeirinhas antes do ponto em que desço, quando um mano vidaloka (e que fedia muito! Não é preconceito, JURO! Tava nublado e confortável, como ele poderia fedeeeer? Ok, parei) sentou-se, pra poder conversar com um amigo. Conversavam sobre ontem, o dia das mães. Um deles falava sobre ter ido ao cemitério e eu nem ao menos me comovi, só fiquei imaginando como a senhora em questão deveria ter morrido por bala perdida, a julgar pelo meu sincero preconceito com manos vidaloka (eles estragaram a frase do Cazuza, poxa!).
Quando li a primeira frase dessa porra toda, percebi. Eu tenho mãe!
Não que eu não tenha percebido antes que eu tenho mãe, é claro, mas...não sei, me senti culpada por isso. Culpada pela vida dela.
Não que eu queira minha mãe morta, não!
Mas, de repente, associei minha vida com a dela e a partir daí surgiram redes e redes de pessoas das quais eu dependo, no sentido literal, mesmo. Eu dependo de um monte de gente pra ser assim...eu.

Afinal, todos dependemos ou pelo menos deveríamos depender de alguém, acho.
E aí, o meu desejo adolescente de independência quase se esvaiu por completo, hoje. Como eu poderia achar legal viver sozinha, estudando que nem louca e ainda por cima me sustentar? É insano querer isso!
Sabe-se lá se o Brasil não estaria europeumente (?) desenvolvido se continuássemos a depender de Portugal, se teria tanto hippie no centro da cidade se eles não fossem psicodelicamente toscos com sua própria família, se o meu pai seria rico se ficasse mais tempo no interior ajudando meu avô em garimpos, sabe-se lá o que eu seria sem...mim!
Por que os outros são parte de mim, oras! Não dá pra viver pra sempre em pedaços, não dá pra viver um segundo só estando assim, vazio.
Vazio MESMO. Não esse vazio que sentimos com frequência, por sinal, nas vezes em que estamos solitários, o vazio onde não se sente, pois é...vazio! Já que pensar é um ato, sentir é um fato (saudosa Clarice, eu te amo!), imagine-se estático, vegetalmente oco.
Assim não dá. Admito - Sou uma criança idiota que nunca vai saber se virar e quero a minha mãe agora. Mesmo.

Frase pessoalmente libertadora se repetida em voz alto: EU PRECISO DOS OUTROS, PORRA!

E preciso mandar um beijo pra Elis, também.


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nerd

Sabia. Teria que escrever sobre isso. Só não esperava que fosse tão cedo.

Sou racional demais. Me ensinaram que o amor é uma reação química que causa dependência. Sei lá, gosto de ter uma sensação ilusória de independência, já não é novidade.

E, perder meu auto-controle (ah, como se o possuísse!) me assusta. Não acho, de maneira alguma, que a razão e o sentimentalismo devem se chocar impactantemente, ah, isso não! Ambos sairiam desestabilizados e ficariam lá, instáveis, durante a reação química, demonstrando toda a sua vulnerabilidade.

Ficar vulnerável! De longe, consegue ser minha maior ânsia, se chocando com meu maior anseio.
De modo que, a qualquer mínimo gesto ou palavra, se concentre em mim o apogeu da alegria ou do inferno.

Intensidade. Palavra-chave, talvez. Essa coisa toda sempre me acompanha, tornando bem fácil distinguir pessoas, coisas ou situações: ou amo, ou odeio. Posso até enfatizar um meio-termo, pra não desconsiderar idéias opostamente atraentes, mas é tudo mentira, mesmo que eu negue. Não tem essa propaganda clichê de "tanto faz". Não MESMO.

E...é tão complexo! Não sei confiar, ao ponto de me mostrar frágil e vulnerável, com medo da intensidade dos fatos, até agora, desconhecidos.
Medo de conhecê-los. Ou talvez, com toda a fé focada nisso.

Ah, quanta redundância!
Com açúcar e com afeto, quero uma dependência química.


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