issumikansa

Estou aqui, torrando no sol de 14h nessa inóspita Cuiabá. Neurônios derretendo, a cor da pele se confundindo com minha blusa vermelha... e nada muda.

As folhas caindo no inverno de 40ºC dão um clima belamente nostálgico de filme europeu antigo. As pessoas, distantes, parecem nem notar. Ou seria eu estranha demais por perceber? Tanto faz. Só sei que gosto do barulho que as folhas fazem quando são arrastadas pelo mínimo sinal raro de vento que resolve aparecer, constrastando com o calor de merda que assola os habitantes dessa cidade.

Meu rosto, rosado e quase saudável... ah, meu rosto! Parece ter se esquecido totalmente da ausência de pigmentação a mim dedicada durante anos a fio. Minha palidez simpática deu lugar a uma camada horrível de manchas vermelhas isoladas, marcadas pela forma dos óculos que insisto em usar, com uma expressão entediada e sonolenta.
É, talvez seja assim que eu me sinta, apesar de não ter tempo nem pra terminar de ler um livro que peguei na biblioteca no começo da semana.

'tô cansada desse lugar. Cansada dessas pessoas trissexuais egoístas, de ter que acordar cedo todo dia, rumando pra um colégio que é mais desorganizado do que a minha própria cabeça. Cansada também dessas marmitas estranhas que nunca mudam, desse verão constante e desses festivais de narizes sangrando por culpa de chuvas ausentes (ok, relevar essa hipérbole). Dessa vida medíocre nutrindo esperanças de conseguir tudo o que eu quero hoje, ou pelo menos de acreditar que vou sempre querer o que quero hoje. Cansada dessa personalidade inconstante e irremediável, acho.

Cansada de continuar escrevendo.


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