peço férias

Isso talvez pode ser encarado como uma desculpa esfarrapada de uma menina preguiçosa. Ou não.
Encaro como o desabafo de uma vítima do ensino público.

Sinceramente, não aguento mais essa história incompetente de jogar tudo em cima dos alunos no fim do ano. Professores que não conseguem atingir suas metas e fechar as matérias propostas para o ano letivo ficam desesperados no mês de novembro. E sobra pra nós.

Não acho justo, de modo algum, atribuir esse atraso aos alunos e sua indisciplina, até porque temos maturidade (ou egoísmo) suficiente para perceber até onde essa situação nos prejudica e parar, pois ninguém espera continuar em sala de aula no fim do ano, que, por sinal, traz consigo um calor da porra e simplesmente insustentável para os pobres mortais que não estudam com ar-condicionado graças a desvios de dinheiro usados na campanha de diretor geral ou algo assim.
Também não acho que a culpa é de feriados ocorridos durante o ano porque, cá entre nós, é uma ENORME lástima que a maior parte deles tenha caído em fins de semana.
Creio de verdade na falta de comprometimento com o ato de ensinar, que, pra mim, é sagrado. Mágico.
Sonhava em lecionar, mas desisti depois de conhecer o perfil de filhos da puta que receberiam meus pseudo conhecimentos. E eu me incluo nesse perfil. Não respeito professores estagnados e, aparentemente, sem amor pela profissão. Ou será que só estão cansados de alunos mal-educados que passaram sabeselácomo no teste de admissão e não mereciam estar ali? Um pouco dos dois.

Tudo gira em torno do dinheiro e é claro que acho que o salário da classe docente deveria ser mais valorizado, considerada toda a responsabilidade de formar psicologicamente alguém que os pais jogaram em cima das escolas primárias, desde cedo. Mas como pensar em pagar mais pra um cara que mal vai à aula? Pelamor!
Deixo registrado aqui o meu protesto secreto contra o professor de Português, que, na teoria, é minha matéria preferida. O infeliz só deu umas 3 aulas nesse semestre inteiro.
Enfim...
Acaba se tornando um círculo vicioso: o professor não desempenha bem seu papel pois não tem um bom incentivo financeiro para tal e não tem um bom incentivo financeiro porque não desempenha bem seu papel. Fodeu.

Ok, chega. Não estou aqui pra defender nenhum proletário. Esse texto não tem cunho político ou moral nem nada do tipo. É só mais algo fútil colocado aqui.
Esse semestre tá um caos. Ou melhor, o meu mês de novembro. 4º bimestre, ao contrário dos outros colégios, tem o maior peso na média anual.

Professores que sumiram o ano todo querem usar parte das férias pra repôr aulas. Outros aí não sabem resumir de modo eficaz a matéria, tornando seus horários maçantes e insuficientes... sem falar (ou falando agora, como preferir) dos que acham que só a matéria deles existe e que não deveriamos fazer mais nada na vida além de nos matar por Biologia ou o pior de tudo - as MALDITAS Exatas. A budega mais complexa e que acabam complicando mais ainda, fazendo contas "alternativas" que divergem dos resultados do livro e o contestando a cada minuto. Jesus, é o fim.

O fracasso escolar da turma inteira. Medo. É sério.

É gente correndo atrás de nota, dando em cima do professor, parasitando na casa de todo mundo pra sugar o máximo de conhecimento do colega... uma selva.
Ainda fomos surpreendidos (lê-se bombardeados, todos os dias) por campanhas bonitas para a eleição de diretor 2 semanas antes das provas bimestrais, acompanhadas de dezenas de trabalhos, que incluem coisas absurdas como construir motores, pilhas, maquetes de anfíbios gigantes, artigos científicos e muito mais. Tudo pra essa semana.
Quero me desligar. Assim, pifar. Da última vez que isso aconteceu, desmaiei no meio da rua e quase morri, AÊ!

O pior é ir dia 5 de dezembro fazer uma das etapas do vestibular da UnB sem estudar e sem saber se o calendário escolar vai conseguir cumprir seu objetivo e fechar antes de dezembro, se eu não ficar de prova final.
Não estou bem. Quero explodir aquele colégio desorganizado. Votei nulo nessa porcaria de eleição apesar de não apoiar esse tipo de ação. Não suporto ver gente que eu nunca conheci na vida me abraçando do nada. Não tive tempo nem saco pra estudar pra nenhuma prova, saturada de tanta coisa.

DEZEMBRO, CHEGA LOGO, CHEGA!


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o mundo muda

Ventava. Ventava muito.
O vento invadia o apartamento, (com o perdão da rima anterior e) com suas vozes lamentando por não conseguirem aconchego do lado de dentro das paredes. Um lamúrio sem fim.
Isso me assustou, confesso. Não conseguia dormir, então saí pelos cômodos em uma mania irritante adquirida há pouco tempo de ir verificar se todas as portas e janelas estavam fechadas. Uma não estava.

Várias fotos estavam espalhadas pelo chão, arrancadas de uma caixa verde caída no canto. Me pus a guardá-las, ignorando a janela que continuava aberta. A minha curiosidade em ver que situações estariam congeladas ali era maior do que a astúcia ou simplesmente reflexos óbvios que me levariam a fechar a tal janela.

Ventou em mim. Assim, literalmente. Como naqueles clipes dos Backstreet Boys.

Enquanto eu figurava naquela cena tosca, me atrevo a dizer que o vento somado às fotos executaram um ótimo trabalho de me bagunçar inteira. O sentimento de nostalgia que se apodera de nós ao vermos fotos antigas é realmente engraçado, né.
Me deparei com um monte de Eu's esquecidos, em lugares que aparentemente nunca estive e com pessoas que nunca conheci de verdade. Parecia a vida de outra pessoa.

É nessas horas que se percebe o quanto tudo passa (rápido).
Eu só queria contar com alguém pra sempre, sem ter que olhar pra fotos 10 anos depois e não conseguir sequer lembrar do nome de quem sorria comigo.
O mais gritante, na verdade, não é nem o fato de não me lembrar dos outros, mas de não me lembrar de mim. Assim, de não me reconhecer.

Absorvemos coisas do mundo a todo instante e tenho de discordar parcialmente da frase "o mundo muda quando a gente muda". Acho que nós, pobres mortais, é que somos mudados para nos adaptar ao mundo em que vivemos e que o maior erro do ser humano é achar o contrário.
O antropocentrismo é tosco e o que acontece com o clima da Terra atualmente é prova disso.
É claro que podemos mudá-lo (ou pelo menos é o que se espera do senhor Obama), mas somos covardes demais pra isso. Egoístas demais pra correr atrás dos outros, dramatizando tudo quando os perdemos, que nem faço agora.

"Chega um dia que as pessoas mudam, os sentimentos acabam e o coração faz novas escolhas." É extremamente irônico ter que conhecer essa frase vinda de uma pessoa que já foi importante pra mim. Acho que é o destino. Ou não. Fingimos confiar no destino e em Deus pelo simples fato de facilitar nossa busca de respostas do motivo real de estarmos aqui.

Só espero não me arrepender de tudo o que eu abandonei para que essas pseudo-mudanças acontecessem.
Que elas sejam evoluções. Cansei de regredir.
Fechei a janela.


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