Vamos à mania clichê que todos temos de nos lembrar do ano anterior, torcendo pra que nos próximos 365 dias mudemos alguma coisa.
Se tivesse que definir 2008 em uma palavra, seria Impaciência, totalmente! Mais medonho/assustador/confuso/afins do que ver um pincher fodendo uma almofada. Desculpa, tive que usar essa comparação.
Quem sabe em 2009 eu tenha saco pra escrever sobre o período que passou. Aliás, saco, no sentido conotativo, é o que eu mais peço pro novo ano. Acho que vou fazer umas aulas de sejaláoquefor pra me ajudar a ser mais paciente, que tal? Aí eu abandono essa nostalgia de sentir falta de algumas pessoas que foram vítimas da minha preguiça de tentar me empenhar em amizades. Enquanto a paciência não chega, paro aqui. Beijosmil e tenham um feliz começo de 2000inove!
É de um cinza cintilante muito, muito estranho. Usarei no casamento de uma prima, no dia 26, com toda a história mística de nascimento do amor depois do Natal... ah, Natal!
Acho que falar sobre como essa data teve seu sentido desvirtuado no decorrer desses anos, além de clichê, é hipócrita.
Adolescentes de classe média adoram escrever a respeito da sua revolta com o consumismo... ah, fodam-se, vocês! Antes mesmo do dia 24 de dezembro estão todos já aproveitando seus presentes ou então reclamando, posto que não ganharam o esperado. E nem venham com seus discursos moralistas pra cima dessa afirmação, pois todo mundo é assim. E é claro que eu me incluo nisso.
Todos precisam concordar com o quanto é emocionalmente gratificante ver o sorriso estampado no rosto de uma criança por algo tão simples, material. É tão fácil deixar alguém feliz, assim! Não que eu goste da ilusão, antes ela à solidão (créditos ao Gustavo, do Ecos Falsos, pela frase).
Na minha família o sentido natalino ainda não foi perdido, amém. O ato de presentear só nos faz lembrar dos reis magos e todas as histórias simpáticas do Novo Testamento. Construímos presépios, comemos demais, cantamos coisas toscas e criamos a ilusão de que somos unidos de verdade, mesmo com o conceito de “família” estar cada vez mais decadente na nossa realidade.
Assumo que não concordo com a frase “nós só podemos contar de verdade com a nossa família”, já que jamais fui chorar as pitangas pra nenhum deles, e sim pra família que eu mesma escolhi, meus amigos. Sei que isso pode ser imaturo, que daqui a um tempo corro o risco de não estar mais ao lado das pessoas com as quais vivo os momentos mais marcantes da minha vida e só vão me restar primos petulantes para chamar de “conhecidos de longa data”, mas não me importo. Amo meus amigos como os irmãos que nunca tive – e nem terei, se meus pais continuarem indiferentes entre si. Mas sentir que estou próxima sanguineamente de algumas pessoas, não importa o quanto todos mudem, me deixa reconfortada. E ver que meus avós, mesmo com tantos netos (lê-se aproximadamente 30), ainda se lembram de me abraçar e me desejar coisas bonitas com o desejo mais sincero de que elas se concretizem, me deixa feliz.
Sim, eu amo o Natal.
ps: é ÓBVIO que o Papai Noel existe. Ou melhor, existiu. Joga São Nicolau no Google. Se tanta gente acredita em tantos santos, por que não acreditar nele? Pare de destruir os sonhos das crianças ao seu redor só porque destruíram o seu.
Ela molhou a maldita caixa de fósforos e foi embora! Meu Deus, que vaca. Agora tenho um monte de farinha na panela e nem ao menos um isqueiro pra acender o fogão.
Definitivamente, não tenho saco pra isso. Ela me persegue pela casa, come tudo o que vê pela frente, insiste em pegar meus jogos de tabuleiro sem nem ao menos saber lê-los ainda, me faz comprar filmes toscos, nem os assiste e me afoga na piscina. Não vou educar minha filha assim.
A pequena herdou da mãe o pior dos instintos: o capitalismo exacerbado. É uma versão em miniatura daquilo que eu mais repudio, céus. O tipo de pessoa que crê na felicidade encontrada em marcas fodas, coca-cola, aparências e etiquetas enormes pra sustentá-las, onde acabamos pagando pra fazer propaganda pros outros. Quer ser advogada e, com 6 anos, me recrimina por "desperdiçar minha capacidade intelectual" não casando com um cara rico e não fazendo Medicina. Não subestimo, de maneira alguma, a importância de médicos para salvar vidas, mas vê se eu tenho cara de médica mercenária, ah, pelamor! Acho que é a única profissão que eu nunca cogitei em seguir, e olha que já pensei até em Arqueologia. A futilidade já cria raízes na mente da menina. Nojo.
Mas, quando lembro dela olhando pra mim com seu sorriso banguelo e feio, me escapa da memória todos os fatos que me faziam odiá-la. E quando ela me abraça forte, ao ponto de me estrangular, sinto algo bom me invadindo aos poucos, me enchendo de alegria. Sinto que amo!
Aí ela molha meus fósforos e me deixa aqui, só. Sinto sua falta, florzinha. Só não me aparece tão cedo, hein.