newton

Antes de tudo, quero deixar bem clara a minha revolta com aparelhos eletrônicos.

No meio da noite, me deu vontade de escrever um texto sobre como eu sou um fracasso em Física, e, já que não havia papel nem luz por perto, comecei a apertar os botõezinhos do celular. Depois de mais de 2000 caracteres, dormi e no dia seguinte constatei que nada foi salvo.

Tentei reescrever o que eu lembrava aqui, e na hora de postar o blog pediu "log in" e nem ao menos salvou.
Acho que o mundo eletrônico conspira para que eu não fale mal deles já que são exatamente o assunto da minha prova e não tão colaborando com nada.

Maldito foi o dia em que eu meti Deus nisso. Pedi pra me ajudar a estudar, em troca do meu café. Sei que conhecimento gera cultura e vice-versa, e que ambos são quase sinônimos, necessários para evoluirmos da nossa condição de insetos e sermos mais...essência, humanos. Mas Física é tão inútil!
Composta por um monte de caras feios e machistas, resultando em uma vida sexual frustrante, que os fez passar seus dias refletindo sobre maçãs e frestas de luz na janela.

Não subestimo tudo o que criaram e significam, de modo algum, mas não quero isso pra mim!
Como vi ontem numa peça: olha a gravidade da Lei da Gravidade! Como se já não bastassem todas as outras leis que já não funcionam! Pelamor!

Ah, não quero mais escrever. Mais perdida que filho da puta em dia dos pais.


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óbvio ululante

Gosto do Além do Óbvio Ululante que Pulula nas Mentes Humanas, como li há uns 6 anos nas tirinhas do Maurício de Souza e descobri que é baseada no Nelson Rodrigues há uns 2.

Coisas óbvias me irritam, fato.

Pena que descobri isso do nada quinta-feira e o choque me deixou extremamente perplexa com o que eu mesma fiz.

Na volta do francês, esperando o ônibus, por sinal a minha maior base de "análise" social porque consegue juntar os mais diferentes seres em um só lugar, vi um cara com uma camiseta escrita "O futuro está por vir". BROCHEI, CÉUS!
Isso é ainda pior do que "O fogo é fogo e esquenta", convenhamos. Faltava só um amigo do lado com uma regata tosca escrita "O passado já passou".

Logo, pensei: - Mas é claro que está por vir! Tanto é que, na língua francesa, fala-se avenir (a vir, entendeu o trocadilho?)!

Fiquei parada durante uns bons segundos avaliando a camiseta, o tal avenir e o Araketu (?). Devia estar com uma aparência mais grotesca do que o normal, já que, quando voltei a mim e ao mundo, várias pessoas olhavam pra mim com um mixto de medo, curiosidade e riso em suas suadas feições. Não, eu não quero parecer autista nem drogada e muito menos autista agressivamente drogada em plena quarta-feira. Me recompus e subi num ônibus.

Mas, poxa, até o avenir é irritantemente óbvio! Não podem usar nada mais criativo em gramáticas, camisetas ou músicas?

Até mesmo coisas que eu gosto de verdade (não que eu goste de "O fogo é fogo...", ok) estão ficando óbvias demais. Fins de novelas já tem o roteiro todo previsível desde o começo, os filmes estão cada vez mais clichês - CHEGA DE SUPER-HERÓIS AMERICANOS, TRIÂNGULOS AMOROSOS E O CARALHO A (ou de) QUATRO! -, refrões são cada vez mais repetitivos e vazios...

Ai, como eu gosto das coisas complexas! Das indeciões em escolher sabores de sorvetes, dos lugares onde ir, de que absorvente comprar, do que vestir, de que opinião tomar... tenho que admitir: complico demais as coisas. Dificulto até mesmo as mais simples, sim. Mas qual é a graça da vida toda programada e sem um pouquinho de drama, vai? Definitivamente, ser óbvio é perda de tempo.

Como já me disseram - cavalo morto é um animal sem vida.
Reflitam.


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