E acordei, no meio da tarde, assustada com a respiração arfante que reinava no quarto, sem saber se vinha de mim ou dela.
Fui pro banheiro, me olhando no espelho e tentando não vomitar os restos da noite anterior. Acabou a água.
Fui ver tv, procurando o mínimo rastro de algum programa decente. Não havia. Odeio a programação de fim de semana.
Fui ler um livro que precisa ser terminado até terça-feira, então. Dormi no sofá.
Fui acordada com ela me perguntando se eu queria sair pra comprar ingressos pra um show. Outro show. Disse que não. Ela foi. Encerra-se aqui o verbo ir no passado.
Saiu sozinha, em silêncio, com um dos meus vestidos preferidos e uma sandália rasteira que me dá calos. Espero que não aconteça o mesmo com a nova usuária.
Dormi de novo, e agora que me restabeleci psicologicamente, uma nova agonia se apodera em mim – ela ainda não voltou.
Achei na internet o novo cd do Ney Matogrosso e fiz download. Eu tinha dito pra ela que queria ir, embora ela insistisse que eu poderia não gostar e não tava em condições de jogar dinheiro fora pra eu depois sair reclamando. Será que ela foi sozinha e me largou jogada no sofá?
Pelo menos não vai poder bancar a groupie com as amigas, o cara é a maior passiva da música nacional. Ok, ok, perde pro Daniel Peixoto. Ok de novo, preciso parar de pensar nisso.
Continuo aqui, podre, no meu pijama florido, esperando algum sinal.
Nada.
Nada.
Nada.
Vou dorm...ah, o telefone! Tchau, vou ver o Ney.
