after sex

- Só não baba no travesseiro porque acabei de trocar essa fronha. - ela me disse.
Fiquei pensando em quantas pessoas no orkut acham "fronha" um termo horroroso.
Eu, pessoalmente, gosto de palavras que nos forçam a falar de maneira anasalada. Acho debilmente britânico e ao mesmo tempo regional, simples, algo que Nhá Dita diria.
- Paradoxos são divertidos, não são?
- Ah, tem certeza de que quer discutir sobre isso?

Mais cultural (quase) impossível.


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prato do dia

Meu coração, destrinchado e sucumbido a artérias e veias horrendas, escancaradas. Sangrando, sangrando.
Uma poça de sangue para acompanhar, claro!
Vinho doce, com gosto de grafite. Me rendo a isso.
Caio (do verbo cair).
Imagino um redentor, que beberá do meu vinho e envolverá minhas vísceras nas suas.
Miscelânea de órgãos, tripas (sim, tripas) expostas sem medo algum.
Uma imensa hemorragia compartilhada, conjunta.
Biologicamente poético.
E aí, morro.

"Marcher ensemble, sauter ensemble, c'est parfait.
Tomber ensemble, mourir ensemble, c'est parfait.
Marcher ensemble, sauter ensemble
Tomber ensemble, mourir ensemble
Partir en cendre, ne rien entendre
Finir en sang
Ne plus attendre."


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dê-me um título

Estou atônita.
Minhas mãos tremem em resposta a uma descarga repentina de coisas. Classificamos como "coisa" tudo o que é inclassificável. Tenho dificuldade em sintetizar o que quero dizer, já fiz rasuras até na hora de escrever a data no papel. Não sei como me expressar em palavras, mas de que importa? Depois de meses, quero me expressar de novo. Creio que escrever seja um ato nostálgico demais pra mim, com essa história de remoer idéias e organizá-las. Me arrependo de coisas (inclassificáveis) que fiz e relembrá-las me causava uma dor imensa, mas achava que nunca mais escreveria em paz enquanto não descarregasse todo o meu ano de 2008 numa folha qualquer. Não conseguia. Me parti em pedaços irrecuperáveis. Bobagem. Roubei parte dos outros também. E, enfim, me senti completa de novo, um misto de tudo e nada como todo ser humano.

Hoje, por volta de 18:30 (juro que pensei em um relógio para ver precisamente o horário), vi algo que me chamou atenção. Podem questionar a minha sanidade, ou não, mas depois de ler um bom livro emprestado e me prender a páginas de sentimentos por ladrilhos verdes e vermelhos (mais precisamente 64 ladrilhos, a raiz quadrada de 8), atendi o celular. Era mamãe. Atrapalhava a leitura da penúltima página. Eu sabia desde o início que o cara ia se matar depois de ter transado com a própria filha sem saber, mas queria chegar logo ao fim. Ela falava ao telefone que iria a um buteco no centro - ok, desliga logo. Meu pai estava ao telefone também, ocupando a sala toda com contas. Me pediu pra pegar um ventilador. Peguei. Ao levá-lo, me ative à janela. A primeira estrela saía, exatamente no canto superior da Lua. Entrei em êxtase. Deixei o ventilador no lugar previamente combinado e corri atrás de uma máquina fotográfica. Elas (a Lua e a estrela) estavam exatamente como na bandeira de seiláquais países, como em tatuagens de milhares de pessoas e estampas de várias bijuterias. Só as duas, brilhando impunemente no céu ainda naquela miscelânea de azul, que vemos no começo e no fim de todos os dias por aqui, se quisermos. Achei que aquilo não poderia ser uma estrela pois brilhava muito, mas, em todo caso, foda-se. Sem questões filosóficas de "até quando?". Epistemologia e axiologia que se explodam. Estou, nesse exato momento, no novo ápice da minha própria ontologia. Luaestrela, Turquia. Assistia as reproduções de batalhas épicas entre mouros e cristãos todos os anos possíveis, em uma celebração cultural poconeana. Esperava meses por isso. O castelo, reconstruído todos os anos, caindo em chamas, e a rainha (sempre uma jovem bonitinha de família influente na cidade) sendo raptada... achava um ultraje público! Sempre fiquei do lado dos mouros que, na minha concepção infantil, eram os mocinhos. Nunca apoiei vilões na infância e só o faço hoje em dia por ter o típico desvio rebelde de adolescentes em achar vilões e pessoas problemáticas algo muito sexy. Chorava por camisetas vermelhas, me estrangulava na torcida e acreditava que -pausa pra ver sms no celular. Ouço a música até o fim. Chopin me comove - aquilo era, simplesmente, estar em um contato histórico comigo mesma. Me imaginar, como crenças espíritas das quais eu não concordo atualmente, encarnada num vestido vermelho (o usando, não sendo O vestido), com longos cabelos presos em uma trança sustentada por um fio dourado. Essa lembrança de tempos remotos em que eu gostava de dourado me deixou enérgica, com um senso de passado e futuro impressionante. Enfim entendi que não se pode prosseguir sem resolver o passado. E, bem ou mal, enfrentei 2008 e resolvi, sozinha, todas (ou quase todas) as minhas dúvidas com relação ao que quero. Vou-me embora para a minha Pasárgada, a capital do país (porém, lá não sou amiga do "rei", não suporto petistas), e me renderei ao método tradicional para alcançá-la: estudando. Jamais consegui me dedicar por inteiro a algo, vou daqui a pouco encostar no teclado, o que não faço há séculos. Quando você encontra uma ponta da sua essência, um vasto grau de auto-conhecimento te abrange e te faz parecer aquelas pessoas cheias de problemas financeiros que vão no Apertados, quadro do programa da Eliana, e ganham algo (eu fui irônica com relação a isso, só pra constar). A vida parece ganhar um novo sentido. Nem cheguei na "idade ideal" pra saber o que estou dizendo, mas assim que olhei pro céu muita coisa (inclassificavelmente) ficou clara. E, essa noção repentina da minha Maior Vontade, baseada na tal Lei de Thelema que tanto discuti sexta-feira com uma égua chilena, me assustou. Quero ir embora. E levar minha origem comigo. É mais do que querer tatuar algo marcante na pele (embora eu não queira fazer aquela luaestrela lá, e sim uma flor de pequi). Me encontro numa incapacidade exasperada de me desapegar. Lamento, Dalai Lama. Não sei ser simbólica e não acho que intenções valham demais. Sou muito física, material. E não, não quero levar um pote de areia (embora tenha um com areia do Saara, que veio até mim pelo vento do inverno europeu. Não tente entender). Quero me desprender mas ao mesmo tempo levar meus amores, minha razão de vida. Aprendi, também, que ninguém pode interferir na Maior Vontade alheia. Droga! É seguir a minha sozinha. Só. Me veio uma vontade de clamar por alguém, implorei pro meu pai não sair e choro desesperadamente. Estou embriagada, e não é pelos comprimidos que ingeri nessa hipocondria herdada do meu avô, nem pelo licor de maracujá com bolachinhas que me pus a comer feito louca em um episódio torpe de compulsão alimentar. Estou completa, auto-suficiente psicologicamente. Então, estou temporariamente plena, depois de muito tempo. Estar plena é estar cheia. Não tem o mesmo sentido, eufemismos à parte? Penso em várias coisas, não construo parágrafos. Os pensamentos vêm se empurrando pra serem aliviados, entalando a saída e me deixando com febre.
Céus, vou pirar.
(parede branca, detalhe em vermelho, cartões postais...)


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a tal retrospectiva

Vamos à mania clichê que todos temos de nos lembrar do ano anterior, torcendo pra que nos próximos 365 dias mudemos alguma coisa.

Se tivesse que definir 2008 em uma palavra, seria Impaciência, totalmente! Mais medonho/assustador/confuso/afins do que ver um pincher fodendo uma almofada. Desculpa, tive que usar essa comparação.

Quem sabe em 2009 eu tenha saco pra escrever sobre o período que passou.
Aliás, saco, no sentido conotativo, é o que eu mais peço pro novo ano. Acho que vou fazer umas aulas de sejaláoquefor pra me ajudar a ser mais paciente, que tal? Aí eu abandono essa nostalgia de sentir falta de algumas pessoas que foram vítimas da minha preguiça de tentar me empenhar em amizades.
Enquanto a paciência não chega, paro aqui. Beijosmil e tenham um feliz começo de 2000inove!


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jingle bells, acabou o papel

Então, o meu vestido novo já cheira a tabaco.

É de um cinza cintilante muito, muito estranho. Usarei no casamento de uma prima, no dia 26, com toda a história mística de nascimento do amor depois do Natal... ah, Natal!


Acho que falar sobre como essa data teve seu sentido desvirtuado no decorrer desses anos, além de clichê, é hipócrita.

Adolescentes de classe média adoram escrever a respeito da sua revolta com o consumismo... ah, fodam-se, vocês! Antes mesmo do dia 24 de dezembro estão todos já aproveitando seus presentes ou então reclamando, posto que não ganharam o esperado. E nem venham com seus discursos moralistas pra cima dessa afirmação, pois todo mundo é assim. E é claro que eu me incluo nisso.


Todos precisam concordar com o quanto é emocionalmente gratificante ver o sorriso estampado no rosto de uma criança por algo tão simples, material. É tão fácil deixar alguém feliz, assim! Não que eu goste da ilusão, antes ela à solidão (créditos ao Gustavo, do Ecos Falsos, pela frase).


Na minha família o sentido natalino ainda não foi perdido, amém. O ato de presentear só nos faz lembrar dos reis magos e todas as histórias simpáticas do Novo Testamento. Construímos presépios, comemos demais, cantamos coisas toscas e criamos a ilusão de que somos unidos de verdade, mesmo com o conceito de “família” estar cada vez mais decadente na nossa realidade.

Assumo que não concordo com a frase “nós só podemos contar de verdade com a nossa família”, já que jamais fui chorar as pitangas pra nenhum deles, e sim pra família que eu mesma escolhi, meus amigos. Sei que isso pode ser imaturo, que daqui a um tempo corro o risco de não estar mais ao lado das pessoas com as quais vivo os momentos mais marcantes da minha vida e só vão me restar primos petulantes para chamar de “conhecidos de longa data”, mas não me importo. Amo meus amigos como os irmãos que nunca tive – e nem terei, se meus pais continuarem indiferentes entre si. Mas sentir que estou próxima sanguineamente de algumas pessoas, não importa o quanto todos mudem, me deixa reconfortada. E ver que meus avós, mesmo com tantos netos (lê-se aproximadamente 30), ainda se lembram de me abraçar e me desejar coisas bonitas com o desejo mais sincero de que elas se concretizem, me deixa feliz.


Sim, eu amo o Natal.




ps: é ÓBVIO que o Papai Noel existe. Ou melhor, existiu. Joga São Nicolau no Google. Se tanta gente acredita em tantos santos, por que não acreditar nele? Pare de destruir os sonhos das crianças ao seu redor só porque destruíram o seu.



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maricota

Ela molhou a maldita caixa de fósforos e foi embora!
Meu Deus, que vaca. Agora tenho um monte de farinha na panela e nem ao menos um isqueiro pra acender o fogão.

Definitivamente, não tenho saco pra isso. Ela me persegue pela casa, come tudo o que vê pela frente, insiste em pegar meus jogos de tabuleiro sem nem ao menos saber lê-los ainda, me faz comprar filmes toscos, nem os assiste e me afoga na piscina.
Não vou educar minha filha assim.

A pequena herdou da mãe o pior dos instintos: o capitalismo exacerbado. É uma versão em miniatura daquilo que eu mais repudio, céus. O tipo de pessoa que crê na felicidade encontrada em marcas fodas, coca-cola, aparências e etiquetas enormes pra sustentá-las, onde acabamos pagando pra fazer propaganda pros outros. Quer ser advogada e, com 6 anos, me recrimina por "desperdiçar minha capacidade intelectual" não casando com um cara rico e não fazendo Medicina. Não subestimo, de maneira alguma, a importância de médicos para salvar vidas, mas vê se eu tenho cara de médica mercenária, ah, pelamor! Acho que é a única profissão que eu nunca cogitei em seguir, e olha que já pensei até em Arqueologia. A futilidade já cria raízes na mente da menina. Nojo.

Mas, quando lembro dela olhando pra mim com seu sorriso banguelo e feio, me escapa da memória todos os fatos que me faziam odiá-la.
E quando ela me abraça forte, ao ponto de me estrangular, sinto algo bom me invadindo aos poucos, me enchendo de alegria. Sinto que amo!

Aí ela molha meus fósforos e me deixa aqui, só.
Sinto sua falta, florzinha.
Só não me aparece tão cedo, hein.


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peço férias

Isso talvez pode ser encarado como uma desculpa esfarrapada de uma menina preguiçosa. Ou não.
Encaro como o desabafo de uma vítima do ensino público.

Sinceramente, não aguento mais essa história incompetente de jogar tudo em cima dos alunos no fim do ano. Professores que não conseguem atingir suas metas e fechar as matérias propostas para o ano letivo ficam desesperados no mês de novembro. E sobra pra nós.

Não acho justo, de modo algum, atribuir esse atraso aos alunos e sua indisciplina, até porque temos maturidade (ou egoísmo) suficiente para perceber até onde essa situação nos prejudica e parar, pois ninguém espera continuar em sala de aula no fim do ano, que, por sinal, traz consigo um calor da porra e simplesmente insustentável para os pobres mortais que não estudam com ar-condicionado graças a desvios de dinheiro usados na campanha de diretor geral ou algo assim.
Também não acho que a culpa é de feriados ocorridos durante o ano porque, cá entre nós, é uma ENORME lástima que a maior parte deles tenha caído em fins de semana.
Creio de verdade na falta de comprometimento com o ato de ensinar, que, pra mim, é sagrado. Mágico.
Sonhava em lecionar, mas desisti depois de conhecer o perfil de filhos da puta que receberiam meus pseudo conhecimentos. E eu me incluo nesse perfil. Não respeito professores estagnados e, aparentemente, sem amor pela profissão. Ou será que só estão cansados de alunos mal-educados que passaram sabeselácomo no teste de admissão e não mereciam estar ali? Um pouco dos dois.

Tudo gira em torno do dinheiro e é claro que acho que o salário da classe docente deveria ser mais valorizado, considerada toda a responsabilidade de formar psicologicamente alguém que os pais jogaram em cima das escolas primárias, desde cedo. Mas como pensar em pagar mais pra um cara que mal vai à aula? Pelamor!
Deixo registrado aqui o meu protesto secreto contra o professor de Português, que, na teoria, é minha matéria preferida. O infeliz só deu umas 3 aulas nesse semestre inteiro.
Enfim...
Acaba se tornando um círculo vicioso: o professor não desempenha bem seu papel pois não tem um bom incentivo financeiro para tal e não tem um bom incentivo financeiro porque não desempenha bem seu papel. Fodeu.

Ok, chega. Não estou aqui pra defender nenhum proletário. Esse texto não tem cunho político ou moral nem nada do tipo. É só mais algo fútil colocado aqui.
Esse semestre tá um caos. Ou melhor, o meu mês de novembro. 4º bimestre, ao contrário dos outros colégios, tem o maior peso na média anual.

Professores que sumiram o ano todo querem usar parte das férias pra repôr aulas. Outros aí não sabem resumir de modo eficaz a matéria, tornando seus horários maçantes e insuficientes... sem falar (ou falando agora, como preferir) dos que acham que só a matéria deles existe e que não deveriamos fazer mais nada na vida além de nos matar por Biologia ou o pior de tudo - as MALDITAS Exatas. A budega mais complexa e que acabam complicando mais ainda, fazendo contas "alternativas" que divergem dos resultados do livro e o contestando a cada minuto. Jesus, é o fim.

O fracasso escolar da turma inteira. Medo. É sério.

É gente correndo atrás de nota, dando em cima do professor, parasitando na casa de todo mundo pra sugar o máximo de conhecimento do colega... uma selva.
Ainda fomos surpreendidos (lê-se bombardeados, todos os dias) por campanhas bonitas para a eleição de diretor 2 semanas antes das provas bimestrais, acompanhadas de dezenas de trabalhos, que incluem coisas absurdas como construir motores, pilhas, maquetes de anfíbios gigantes, artigos científicos e muito mais. Tudo pra essa semana.
Quero me desligar. Assim, pifar. Da última vez que isso aconteceu, desmaiei no meio da rua e quase morri, AÊ!

O pior é ir dia 5 de dezembro fazer uma das etapas do vestibular da UnB sem estudar e sem saber se o calendário escolar vai conseguir cumprir seu objetivo e fechar antes de dezembro, se eu não ficar de prova final.
Não estou bem. Quero explodir aquele colégio desorganizado. Votei nulo nessa porcaria de eleição apesar de não apoiar esse tipo de ação. Não suporto ver gente que eu nunca conheci na vida me abraçando do nada. Não tive tempo nem saco pra estudar pra nenhuma prova, saturada de tanta coisa.

DEZEMBRO, CHEGA LOGO, CHEGA!


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