maricota

Ela molhou a maldita caixa de fósforos e foi embora!
Meu Deus, que vaca. Agora tenho um monte de farinha na panela e nem ao menos um isqueiro pra acender o fogão.

Definitivamente, não tenho saco pra isso. Ela me persegue pela casa, come tudo o que vê pela frente, insiste em pegar meus jogos de tabuleiro sem nem ao menos saber lê-los ainda, me faz comprar filmes toscos, nem os assiste e me afoga na piscina.
Não vou educar minha filha assim.

A pequena herdou da mãe o pior dos instintos: o capitalismo exacerbado. É uma versão em miniatura daquilo que eu mais repudio, céus. O tipo de pessoa que crê na felicidade encontrada em marcas fodas, coca-cola, aparências e etiquetas enormes pra sustentá-las, onde acabamos pagando pra fazer propaganda pros outros. Quer ser advogada e, com 6 anos, me recrimina por "desperdiçar minha capacidade intelectual" não casando com um cara rico e não fazendo Medicina. Não subestimo, de maneira alguma, a importância de médicos para salvar vidas, mas vê se eu tenho cara de médica mercenária, ah, pelamor! Acho que é a única profissão que eu nunca cogitei em seguir, e olha que já pensei até em Arqueologia. A futilidade já cria raízes na mente da menina. Nojo.

Mas, quando lembro dela olhando pra mim com seu sorriso banguelo e feio, me escapa da memória todos os fatos que me faziam odiá-la.
E quando ela me abraça forte, ao ponto de me estrangular, sinto algo bom me invadindo aos poucos, me enchendo de alegria. Sinto que amo!

Aí ela molha meus fósforos e me deixa aqui, só.
Sinto sua falta, florzinha.
Só não me aparece tão cedo, hein.


1 comentários:

Thais Bueno disse...

esse texto me lembrou minha relação com minha priminha. sério, ela me irrita, é fútil e chata, mas no fim, eu gosto daquela pequena criatura de oito anos :P