Então, o meu vestido novo já cheira a tabaco.
É de um cinza cintilante muito, muito estranho. Usarei no casamento de uma prima, no dia 26, com toda a história mística de nascimento do amor depois do Natal... ah, Natal!
Acho que falar sobre como essa data teve seu sentido desvirtuado no decorrer desses anos, além de clichê, é hipócrita.
Adolescentes de classe média adoram escrever a respeito da sua revolta com o consumismo... ah, fodam-se, vocês! Antes mesmo do dia 24 de dezembro estão todos já aproveitando seus presentes ou então reclamando, posto que não ganharam o esperado. E nem venham com seus discursos moralistas pra cima dessa afirmação, pois todo mundo é assim. E é claro que eu me incluo nisso.
Todos precisam concordar com o quanto é emocionalmente gratificante ver o sorriso estampado no rosto de uma criança por algo tão simples, material. É tão fácil deixar alguém feliz, assim! Não que eu goste da ilusão, antes ela à solidão (créditos ao Gustavo, do Ecos Falsos, pela frase).
Na minha família o sentido natalino ainda não foi perdido, amém. O ato de presentear só nos faz lembrar dos reis magos e todas as histórias simpáticas do Novo Testamento. Construímos presépios, comemos demais, cantamos coisas toscas e criamos a ilusão de que somos unidos de verdade, mesmo com o conceito de “família” estar cada vez mais decadente na nossa realidade.
Assumo que não concordo com a frase “nós só podemos contar de verdade com a nossa família”, já que jamais fui chorar as pitangas pra nenhum deles, e sim pra família que eu mesma escolhi, meus amigos. Sei que isso pode ser imaturo, que daqui a um tempo corro o risco de não estar mais ao lado das pessoas com as quais vivo os momentos mais marcantes da minha vida e só vão me restar primos petulantes para chamar de “conhecidos de longa data”, mas não me importo. Amo meus amigos como os irmãos que nunca tive – e nem terei, se meus pais continuarem indiferentes entre si. Mas sentir que estou próxima sanguineamente de algumas pessoas, não importa o quanto todos mudem, me deixa reconfortada. E ver que meus avós, mesmo com tantos netos (lê-se aproximadamente 30), ainda se lembram de me abraçar e me desejar coisas bonitas com o desejo mais sincero de que elas se concretizem, me deixa feliz.
Sim, eu amo o Natal.
ps: é ÓBVIO que o Papai Noel existe. Ou melhor, existiu. Joga São Nicolau no Google. Se tanta gente acredita em tantos santos, por que não acreditar nele? Pare de destruir os sonhos das crianças ao seu redor só porque destruíram o seu.

4 comentários:
ñ, papai noel ñ existe! huahuahuahua
enfim
esse texto tem um pouco do q a gente conversou esses dias *-*
te amo e feliz natal desde já!
Pois eh :/
e eu já estava escrevendo umas crônicas moralistas sobre o consumismo... kkkkkkkkk
Hei, de tanto ficar lendo seus textos, estou com o mesmo estilo, rsrsrs
Veja meus novos artigos: http://thednsblog.blogspot.com/
Não que seja propaganda, claro!
Enfim. Seu texto me impressionou. Você é a primeira adolescente a descrever a mais sincera sinceridade (¬¬").
Todos nós somos hipócritas a ponto de escrever sobre algo que nós mesmos praticamos. Você foi além. Gostei :P
Parabéns, e feliz natal ^^
o gordo insolente não existe.
fato.
Eu ganhei o que queria. HAUHAUHA
;D
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