o mundo muda

Ventava. Ventava muito.
O vento invadia o apartamento, (com o perdão da rima anterior e) com suas vozes lamentando por não conseguirem aconchego do lado de dentro das paredes. Um lamúrio sem fim.
Isso me assustou, confesso. Não conseguia dormir, então saí pelos cômodos em uma mania irritante adquirida há pouco tempo de ir verificar se todas as portas e janelas estavam fechadas. Uma não estava.

Várias fotos estavam espalhadas pelo chão, arrancadas de uma caixa verde caída no canto. Me pus a guardá-las, ignorando a janela que continuava aberta. A minha curiosidade em ver que situações estariam congeladas ali era maior do que a astúcia ou simplesmente reflexos óbvios que me levariam a fechar a tal janela.

Ventou em mim. Assim, literalmente. Como naqueles clipes dos Backstreet Boys.

Enquanto eu figurava naquela cena tosca, me atrevo a dizer que o vento somado às fotos executaram um ótimo trabalho de me bagunçar inteira. O sentimento de nostalgia que se apodera de nós ao vermos fotos antigas é realmente engraçado, né.
Me deparei com um monte de Eu's esquecidos, em lugares que aparentemente nunca estive e com pessoas que nunca conheci de verdade. Parecia a vida de outra pessoa.

É nessas horas que se percebe o quanto tudo passa (rápido).
Eu só queria contar com alguém pra sempre, sem ter que olhar pra fotos 10 anos depois e não conseguir sequer lembrar do nome de quem sorria comigo.
O mais gritante, na verdade, não é nem o fato de não me lembrar dos outros, mas de não me lembrar de mim. Assim, de não me reconhecer.

Absorvemos coisas do mundo a todo instante e tenho de discordar parcialmente da frase "o mundo muda quando a gente muda". Acho que nós, pobres mortais, é que somos mudados para nos adaptar ao mundo em que vivemos e que o maior erro do ser humano é achar o contrário.
O antropocentrismo é tosco e o que acontece com o clima da Terra atualmente é prova disso.
É claro que podemos mudá-lo (ou pelo menos é o que se espera do senhor Obama), mas somos covardes demais pra isso. Egoístas demais pra correr atrás dos outros, dramatizando tudo quando os perdemos, que nem faço agora.

"Chega um dia que as pessoas mudam, os sentimentos acabam e o coração faz novas escolhas." É extremamente irônico ter que conhecer essa frase vinda de uma pessoa que já foi importante pra mim. Acho que é o destino. Ou não. Fingimos confiar no destino e em Deus pelo simples fato de facilitar nossa busca de respostas do motivo real de estarmos aqui.

Só espero não me arrepender de tudo o que eu abandonei para que essas pseudo-mudanças acontecessem.
Que elas sejam evoluções. Cansei de regredir.
Fechei a janela.


3 comentários:

Ricardo disse...

Excelente texto.
Infelizmente não tenho muitas fotografias para vivenciar um momento semelhante ao seu, mas eu creio que passo pela mesma coisa, visto que eu perdi o contato com praticamente todos os meus "amigos" do colegial. É triste, sim, saber que afinal nenhum deles continuou sendo meu amigo.
Eu também queria muito alguém que me acompanhasse a vida toda, alguém com quem eu pudesse compartilhar todas as seqüências da minha vida.
Enfim ~ .__.

Thais Bueno disse...

ai anna, que coisa triste.
é a realidade, :(

eu andava num processo de "pré-sentimento-de-falta" dos meus amigos de cefet, já pensando q ano que vem tudo mudará, cada um vai escolher seu caminho e baubau convivência.

mas sabe, passou. HUAHA vou sentir falta deles sim, mas não da forma q imaginei q teria. acho.
algumas coisas aconteceram e quebraram o encanto por alguns deles.

no fim, poucas pessoas farão falta.

inclua você na lista. ou não, já que a gente pode continuar se vendo =D
a escolha é nossa.

[/fim do momento desabafo]
ALIÀAAS, eu sempre desabafo no seu blog. injusto isso. u.u'

Mariana Alves da Silva disse...

já disse e irei repetir: adoro seus textos! esse é realmente um dos que eu mais gostei. acho que porque também me sinto assim. anna nada na auto-ajuda também! u.ú