o mérito e o monstro

Para evitar decepções, não crie expectativas.

Eu cansei. É sério.

Preciso AGORA do momento egoísta que se seguirá nas linhas abaixo, onde tudo gira ao meu redor.

Pela primeira vez, fico sem palavras! Isso não é possível! Hoje foi um dos dias mais lastimáveis que eu já vivi.


Faço tudo pela metade, deixo tudo no meio ou seja lá o que for... tarefas, trabalhos, afazeres domésticos, paixões, um punhado de instrumentos musicais, um monte de esportes, danças e o que mais for imaginável.

E é a primeira vez que eu faço algo por inteiro, assim, por mim, sabe? Sei que isso pode soar hipócrita, mas escrever é o único meio que eu encontrei até hoje pra me sentir plena, sem nenhuma metade faltando. É algo que me deixa bem, e que eu guardo como um tesouro pessoal, independente das opiniões alheias a respeito disso. Não sinto que preciso ser reconhecida por todos, pois só a minha sensação de... não sei o quê (!), o que sinto por estar escrevendo, já me preenche o suficiente.


Sinto-me usada.

Saem coisas minhas de outras bocas, outros se orgulham dos meus atos, todos me fazem parecer que sou apenas uma marionete de algo escondido por trás, que vive em função de parecer bem para ser mostrada. Alguma espécie de modelo psicológico, de exemplo estúpido a ser vangloriado.


Eu não agüento mais! Não quero, definitivamente, que esperem algo de mim, pois não vai adiantar. Não agüento mais ter de me sentir culpada por não ter sido boa o suficiente para os outros. Sei que isso é uma forma de proteção, sei que não fazem isso por mal, mas não esperem que eu continue perdendo o meu tempo dando o meu melhor pra causas futuras. Eu não preciso me sobressair! Por que ainda difundem esse pensamento capitalista de ser sempre o melhor?


Só desejo viver minha vida com anônimos felizes, conhecendo lugares legais, ouvindo boa música e lendo bons livros. Não quero ganhar dinheiro às custas de Meio Ambiente, não quero trabalhar em plataforma petrolífera, não quero ser médica, advogada nem porra nenhuma. Só quero escrever um bocado, é pedir muito? Escrever pra mim! Sem me expor demais, merecendo ou não! Isso tem se tornado um inferno.


Quando tiram um texto meu do meu controle, sinto como se perdesse um filho, mesmo nem sabendo qual é a sensação literal de se perder alguém assim.

Depois de um tempo, é como se não fosse mais, por direito...meu. Como se fosse do mundo, sei lá.

Quero guardá-los, todos, dos (d)efeitos do que existe lá fora, além da minha vã capacidade mental e do meu mundinho bizarro.


Eu sou egoísta, mesmo! Muito egoísta!

Quero que pensem, ao menos um instante, em como eu me sinto com relação a isso, em vez de ficar falando que eu não desempenhei bem o meu papel em público. Quero que as pessoas que eu mais admiro no mundo entendam que eu não estou sendo chata quando faço barulhos incômodos tentando respirar com o nariz entupido, que eu posso, sim, pedir um pouco de atenção sem ser rotulada de carente. Quero que fiquem do meu lado, respeitando a minha opinião com relação ao que eu faço ou deixo de fazer e a minha timidez mórbida que não tem conserto, faz parte da minha personalidade desde sempre. Aliás, quero autonomia pra ter uma personalidade! Não quero viver agradando aos outros, quero viver pra mim!

Ah, quinta-feira, como te invejo! Invejo sua capacidade de me tornar um ser incerto, rumando para qualquer lugar com um sorriso débil no rosto, sem motivo algum. As poucas horas ilusórias em que me tornaste um ser completo, sem obrigações, necessidades, horários, desconhecidos, me valeram por uma vida.

Daria tudo pra que todo dia fosse como aquela quinta-feira.

Daria tudo pra voltar no tempo e guardar meus filhos direito. Só os confio aqui.

Mas, já que é inevitável, vou ter que usar um trocadilho tosco - que brilhem onde estiverem.



7 comentários:

Thais Bueno disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Thais Bueno disse...

Aiii Anna...! Corrija-me se eu estiver errada: isso é sobre a “premiação” de ontem?

Cara, eu fiquei super orgulhosa por ti, sabe, eu realmente queria escrever como você, e não, eu não digo isso pra te agradar.

Aliás, respeito inteiramente sua timidez, uma vez que eu não sou tão diferente. Se fosse eu quem deveria ir a frente receber um premio, me sentiria tão envergonhada quanto você… eu até acho que nem iria... faria o maior barraco em casa, mas não iria. Odeio ser o centro das atenções (isso explica porque detesto festas de aniversário… porque não quis fazer festa de debutante –tão fora de moda, mas minha mãe queria. :( - e porque eu não quero me casar e fazer festa).

E cara, eu concordo contigo que as pessoas esperar algo de você é ruim, viver sob pressão de ser uma excelente pessoa é ruim… (corrija-me novamente se estiver errada: isso é sobre seus pais/família?) Anna, veja pelo lado bom: eles querem seu bem. Acho que o que está faltando é uma boa comunicação com eles: fale como você se sente, sem gritar... tente não brigar pra mostrar que você não quer se sobressair.

”todos me fazem parecer que sou apenas uma marionete de algo escondido por trás, que vive em função de parecer bem para ser mostrada.”
(hoje estou cheia dos “corrija-me se estiver errada”, mas corrija-me se estiver errada: isso é sobre seus pais quererem que você tirasse uma foto?)
Não pense assim Anna! Eles queriam gravar aquele momento pra mostrar para as outras pessoas o quanto eles se orgulham de você. Mesmo você falando que não é boa filha, que faz tudo pela metade e blá-blá-blá eles te amam e você sabe disso. Eu também não gosto de “ser algo a ser mostrado”, mas tente entender o lado deles pelo menos...

Anna, eu tenho certeza que se você conversar com seus pais, eles vão te entender… ou pelo menos saber o que você pensa. Não se sinta usada, você é uma pessoa muito legal e inteligente, sem ser uma nerd chata. E não digo isso pra te agradar. É o que penso. E não se desmereça em momento algum.

Ricardo disse...

Eu acho que o mundo é um tanto quanto injusto. Veja bem, muitas vezes, muitas vezes MESMO, somos obrigados a fazer coisas que não queremos, e eu creio que a gente querer romper esse tipo de situação não é bem uma atitude egoísta. Anna, preste muita atenção, você NÃO está sendo egoísta. Eu acho muito bem que você pode tentar contornas as coisas. Embora eu não tenha entendido muito bem o que aconteceu exatamente (gostaria que você me explicasse depois), eu acho que na vida nós podemos conciliar aquilo que é de desejo nosso e aquilo que é exigido pelos outros. Mantenha um equilíbrio, não se mate para se tornar uma ambientalista (suponho que seja essa a denominação para alguém formado em Meio Ambiente, né?) se no fundo o que você quer mesmo é ser jornalista!! Vá atrás de seus sonhos, afinal de contas é a SUA vida e você tem todo o direito que prezar pelo bem-estar dela!!!! Quanto aos seus textos, mais uma vez, devo dizer que estou por fora do que aconteceu, mas ao que eu entendi, você não quer ficar expondo-os por aí. Pois bem, acho que aí vai da gente escrever por motivos diferentes: escrever por obrigação, escrever por prazer. Aqueles seus textos íntimos e de valor sentimental, guarde-os somente pra ti. E aqueles que você tiver que expor, escreva já pensando que você terá que fazer isso. Assim, eu acredito que você não se sentirá tão culpada em ver aquele monte de gente lendo o que a gente escreveu sem ter um mínimo de sendo artístico ou crítico :P (eu pelo menos entraria em estado de transe se as pessoas não interpretassem meus textos do jeito que eu gostaria). Acho que realmente as pessoas esperam coisas da gente que nós nem esperamos de nós mesmos. Mas não creio que seja ruim: é melhor do que se não esperassem nada, seria como se nós fôssemos ignorados e não passássemos de meras sombras nesse mundo. Não é muito bem a questão de "ter que provar algo pros outros", mas é simplesmente da gente mostrar o que sabe fazer :)
Tudo isso é um tanto quanto confuso, é difícil explicar tudo aqui.
Enfim, procure-me.

Ricardo disse...

*imaginando o próximo comentário, sobre o meu contário:

nenly e nenlerey

AUSIDHIUQWHDIUAHSFIUASF*

Anna disse...

ai, gente, eu gosto tanto de vocês ;_;

Lucas disse...

no fundo no fundo; who cares?
e é sempre assim.
inevitável, como tu mesmo disse.

cara, eu te amo demais.

Anônimo disse...

Blz, mais um blog pessoal
Gostei de tuas palavras, mesmo não conhecendo o contexto
Continue escrevendo com paixão, delineando cada gota de (qualquer coisa) em sua vida, elas são marcantes...

Luiz Phillip