Eu não sei onde quero chegar com essa espécie de desabafo.

Odeio admitir (ou não) que sou extremamente careta, mesmo. Imaginava que, abandonando práticas "futeis" e me agregando a essa tal Sociedade Alternativa, conseguiria me identificar, me completar, preencher o vazio que não se preenche com coisas materiais. Não sei de onde tirei isso, não sei explicar enão sei porque continuo a escrever.
Por isso, me inseri nesse meio desde muito cedo, se considerarmos que eu sou uma criança, ou quase. Pessoalmente, não permitiria essas atitudes dos meus filhos assim, tão cedo. Acho que tudo tem limite e, se não me deram isso no momento certo, eu mesma me estabeleço assim agora. Acho...

Enfim, pelamor, essa história de sexo, drogas e rock'n'roll é a maior futilidade disfarçada de rebeldia com alguma causa ouseja lá o que for!

Todos fingindo não ligar pro consumismo ou opinião alheia, mas com a mesma roupa, o mesmo corte de cabelo e até os mesmos gostos, com medo de ser diferente dos amiguinhos! Isso deveria ser uma forma de expressão de idéias aleatórias a sociedade em que vivemos, não mais uma maneira de alienar os que fugiram antes!
Se se sentem maduros com essas atitudes idiotas, é bom saber que, na minha opinião, essa é a maior infantilidade demonstradana adolescência, tanto é que, daqui a pouco isso muda. Fases passam, e acho que a minha tá passando antes do previsto.

Não, eu não vou fumar porque convivo com isso o dia inteiro desde que acordo com o meu pai na sacada até as meninas do colégio que nem sequer tragam, não vou (mais) chegar em casa caindo de bêbada e muito menos virar uma lésbica fashionista pra multiplicar as chances de pegar os outros e criticar a roupa das ex, não!
Se quiser relaxar, vá se masturbar até ter uns 3 orgasmos, se quise rir vá ver algum vídeo engraçado ou comentar sobre ele (geralmente, eu o enceno HAHAH) e se quiser pegar "geral", vá a alguma micareta (aproveite e pegue também herpes ou sapinho ou qualquer anfíbio, que seja!).

Esse lema de porraloucadorock só nos leva a um mundo ainda mais egoísta onde não se precisa de ninguém, só de uma guitarra, alucinógenos e sexo! Ok, isso é bem tentador, né. Mas queira ser menos medíocre!
Eu quero ver todos os filmes do mundo, ler todos os livros e ouvir todas as músicas em todos os lugares possíveis e, principalmente, quero me lembrar deles depois! Ou pelo menos não morrer (muito) antes disso.

"Grandes e pequenos, redondos e triangulares, de qualquer forma são todos quadrados."
Aaaah, Anitelli, como eu te adoro! Sempre com a frase legal.

Ok, nada disso tem sentido. Dias de abstinência de iDoser e paracetamol me deixam louca, tchau.


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newton

Antes de tudo, quero deixar bem clara a minha revolta com aparelhos eletrônicos.

No meio da noite, me deu vontade de escrever um texto sobre como eu sou um fracasso em Física, e, já que não havia papel nem luz por perto, comecei a apertar os botõezinhos do celular. Depois de mais de 2000 caracteres, dormi e no dia seguinte constatei que nada foi salvo.

Tentei reescrever o que eu lembrava aqui, e na hora de postar o blog pediu "log in" e nem ao menos salvou.
Acho que o mundo eletrônico conspira para que eu não fale mal deles já que são exatamente o assunto da minha prova e não tão colaborando com nada.

Maldito foi o dia em que eu meti Deus nisso. Pedi pra me ajudar a estudar, em troca do meu café. Sei que conhecimento gera cultura e vice-versa, e que ambos são quase sinônimos, necessários para evoluirmos da nossa condição de insetos e sermos mais...essência, humanos. Mas Física é tão inútil!
Composta por um monte de caras feios e machistas, resultando em uma vida sexual frustrante, que os fez passar seus dias refletindo sobre maçãs e frestas de luz na janela.

Não subestimo tudo o que criaram e significam, de modo algum, mas não quero isso pra mim!
Como vi ontem numa peça: olha a gravidade da Lei da Gravidade! Como se já não bastassem todas as outras leis que já não funcionam! Pelamor!

Ah, não quero mais escrever. Mais perdida que filho da puta em dia dos pais.


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óbvio ululante

Gosto do Além do Óbvio Ululante que Pulula nas Mentes Humanas, como li há uns 6 anos nas tirinhas do Maurício de Souza e descobri que é baseada no Nelson Rodrigues há uns 2.

Coisas óbvias me irritam, fato.

Pena que descobri isso do nada quinta-feira e o choque me deixou extremamente perplexa com o que eu mesma fiz.

Na volta do francês, esperando o ônibus, por sinal a minha maior base de "análise" social porque consegue juntar os mais diferentes seres em um só lugar, vi um cara com uma camiseta escrita "O futuro está por vir". BROCHEI, CÉUS!
Isso é ainda pior do que "O fogo é fogo e esquenta", convenhamos. Faltava só um amigo do lado com uma regata tosca escrita "O passado já passou".

Logo, pensei: - Mas é claro que está por vir! Tanto é que, na língua francesa, fala-se avenir (a vir, entendeu o trocadilho?)!

Fiquei parada durante uns bons segundos avaliando a camiseta, o tal avenir e o Araketu (?). Devia estar com uma aparência mais grotesca do que o normal, já que, quando voltei a mim e ao mundo, várias pessoas olhavam pra mim com um mixto de medo, curiosidade e riso em suas suadas feições. Não, eu não quero parecer autista nem drogada e muito menos autista agressivamente drogada em plena quarta-feira. Me recompus e subi num ônibus.

Mas, poxa, até o avenir é irritantemente óbvio! Não podem usar nada mais criativo em gramáticas, camisetas ou músicas?

Até mesmo coisas que eu gosto de verdade (não que eu goste de "O fogo é fogo...", ok) estão ficando óbvias demais. Fins de novelas já tem o roteiro todo previsível desde o começo, os filmes estão cada vez mais clichês - CHEGA DE SUPER-HERÓIS AMERICANOS, TRIÂNGULOS AMOROSOS E O CARALHO A (ou de) QUATRO! -, refrões são cada vez mais repetitivos e vazios...

Ai, como eu gosto das coisas complexas! Das indeciões em escolher sabores de sorvetes, dos lugares onde ir, de que absorvente comprar, do que vestir, de que opinião tomar... tenho que admitir: complico demais as coisas. Dificulto até mesmo as mais simples, sim. Mas qual é a graça da vida toda programada e sem um pouquinho de drama, vai? Definitivamente, ser óbvio é perda de tempo.

Como já me disseram - cavalo morto é um animal sem vida.
Reflitam.


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novela

Pra se ter noção, adiei escrever esse texto porque tava vendo a novela das 21h, assim como milhões de brasileiros (ou não, visto que aqui a novela começa 1 horas depois do resto do país). É impressionante como isso me hipnotiza nos momentos de tédio.
Super meu dia-a-dia, isso tudo.

Sempre vejo essas famílias onde o cara não sabe o próprio nome de verdade e vai casar com uma mulher que ele mesmo roubou, que pariu um filho que mais parece com o do vizinho da outra novela. Favelas onde a violência é repugnante, comandada por um ex caminhoneiro e todos convivem sem drôôgas e como irmãos. Universidades particulares sustentando milheres de bolsas de estudo pra quem nem sequer estuda direito, até pra Narizinho do Sítio do Pica-pau Amarelo. Ah, acontece seeeempre por aqui! Pelo menos é o que eles (sinta a complexidade do "eles", uh) querem que pensemos.

Enchem os meios de comunicação com ladainhas inúteis que jamais acontecerão em nossas vidas, nos distraindo e desfocando nossa atenção para o que realmente importa. É a velha polícia do pão e circo. Com tanta criança sem pai, a Globo quer implantar 2 pra uma só. Além de trepar com ferros, confundindo a novela com o Cine Band Privé. Não, eu não sou moderna o suficiente pra achar isso normal. E também não assisto o Cine Band Privé. Lamento.

Caramba, como sou Duas Caras. Falo mal e tô só esperando a propaganda acabar pra continuar assistindo.
Wow, vinheta d'A Favorita! Quem será que matou o cara?


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busão!

" (...)a indiferença da vida moderna."
Frase que acabei de ler num site.
E aí, percebi que essa semana tem me assustado mais do que o previsto. Mais: essa segunda-feira me assustou muito mais do que o previsto. Mais até do que ler em público no domingo.

Todos sabem que estamos caminhando rumo ao individualismo total, mais do que dizem dos franceses. E o fato de um cara da minha sala ter me negado cola há uns dias nem vai influenciar tanto no texto, há!

Céus, o que diabos estamos fazendo?
Na maioria das vezes, eu entro no ônibus (depois de pseudo sofrer tentando chamar a atenção dos cobradores pro meu cartão de estudante) e não falo com ninguém! Passo minutos e minutos do meu dia do lado de pessoas desconhecidas que, sem saber, influenciariam na minha vida, sem ao menos me manifestar! ISSO É RIDÍCULO!
E eu nem ao menos tento falar, quando percebo o olhar blasé de seja lá quem estiver do meu lado, se achando superior a toda a catinga que se espalha naqueles ônibus fétidos com ar condicionado que só faz gastar combustível e impedir que as pessoas saiam pela porta da frente.

Já que eu não falo, ouço! E que se foda quem não ouve nem fala! Morri.
Tava lá, torcendo pra que ninguém sentasse do meu lado pois odeio me distorcer toda pra conseguir sair daquelas cadeirinhas antes do ponto em que desço, quando um mano vidaloka (e que fedia muito! Não é preconceito, JURO! Tava nublado e confortável, como ele poderia fedeeeer? Ok, parei) sentou-se, pra poder conversar com um amigo. Conversavam sobre ontem, o dia das mães. Um deles falava sobre ter ido ao cemitério e eu nem ao menos me comovi, só fiquei imaginando como a senhora em questão deveria ter morrido por bala perdida, a julgar pelo meu sincero preconceito com manos vidaloka (eles estragaram a frase do Cazuza, poxa!).
Quando li a primeira frase dessa porra toda, percebi. Eu tenho mãe!
Não que eu não tenha percebido antes que eu tenho mãe, é claro, mas...não sei, me senti culpada por isso. Culpada pela vida dela.
Não que eu queira minha mãe morta, não!
Mas, de repente, associei minha vida com a dela e a partir daí surgiram redes e redes de pessoas das quais eu dependo, no sentido literal, mesmo. Eu dependo de um monte de gente pra ser assim...eu.

Afinal, todos dependemos ou pelo menos deveríamos depender de alguém, acho.
E aí, o meu desejo adolescente de independência quase se esvaiu por completo, hoje. Como eu poderia achar legal viver sozinha, estudando que nem louca e ainda por cima me sustentar? É insano querer isso!
Sabe-se lá se o Brasil não estaria europeumente (?) desenvolvido se continuássemos a depender de Portugal, se teria tanto hippie no centro da cidade se eles não fossem psicodelicamente toscos com sua própria família, se o meu pai seria rico se ficasse mais tempo no interior ajudando meu avô em garimpos, sabe-se lá o que eu seria sem...mim!
Por que os outros são parte de mim, oras! Não dá pra viver pra sempre em pedaços, não dá pra viver um segundo só estando assim, vazio.
Vazio MESMO. Não esse vazio que sentimos com frequência, por sinal, nas vezes em que estamos solitários, o vazio onde não se sente, pois é...vazio! Já que pensar é um ato, sentir é um fato (saudosa Clarice, eu te amo!), imagine-se estático, vegetalmente oco.
Assim não dá. Admito - Sou uma criança idiota que nunca vai saber se virar e quero a minha mãe agora. Mesmo.

Frase pessoalmente libertadora se repetida em voz alto: EU PRECISO DOS OUTROS, PORRA!

E preciso mandar um beijo pra Elis, também.


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nerd

Sabia. Teria que escrever sobre isso. Só não esperava que fosse tão cedo.

Sou racional demais. Me ensinaram que o amor é uma reação química que causa dependência. Sei lá, gosto de ter uma sensação ilusória de independência, já não é novidade.

E, perder meu auto-controle (ah, como se o possuísse!) me assusta. Não acho, de maneira alguma, que a razão e o sentimentalismo devem se chocar impactantemente, ah, isso não! Ambos sairiam desestabilizados e ficariam lá, instáveis, durante a reação química, demonstrando toda a sua vulnerabilidade.

Ficar vulnerável! De longe, consegue ser minha maior ânsia, se chocando com meu maior anseio.
De modo que, a qualquer mínimo gesto ou palavra, se concentre em mim o apogeu da alegria ou do inferno.

Intensidade. Palavra-chave, talvez. Essa coisa toda sempre me acompanha, tornando bem fácil distinguir pessoas, coisas ou situações: ou amo, ou odeio. Posso até enfatizar um meio-termo, pra não desconsiderar idéias opostamente atraentes, mas é tudo mentira, mesmo que eu negue. Não tem essa propaganda clichê de "tanto faz". Não MESMO.

E...é tão complexo! Não sei confiar, ao ponto de me mostrar frágil e vulnerável, com medo da intensidade dos fatos, até agora, desconhecidos.
Medo de conhecê-los. Ou talvez, com toda a fé focada nisso.

Ah, quanta redundância!
Com açúcar e com afeto, quero uma dependência química.


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ego

Terremotos e enchentes na tv. Eu sobrevivi.
E você também, que tá lendo isso. Ainda não entendo como uma afirmação dessas consegue ser óbvia e relativa ao mesmo tempo.
Enfim, não sei porquê, mas acho que faz bem pra mim (aqui jaz o Português) ver algumas desgraças na vida alheia. Pra não me auto-denominar cruel, direi que de preferência BEM alheia, mesmo.

Famílias desoladas, tendo como único recurso recorrer à mídia pra buscar justiça, ou ao menos tentar melhorar sua situação. A tv! Céus, que desesperador! Depender da grande mídia de massa! Como se eles tivessem o direito de evoluir de instrumento de comunicar notícias para manipuladores mentais e sem princípios!
Ok, vou ao que me incomoda logo, antes que acabe demonstrando (mais) nitidamente a minha inveja com relação à mídia. Ter o poder de manipular mais do que a Igreja Medieval ou a Globo é algo que anseio, confesso. Imagine o bem que faria aos outros ver o mundo sob o meu ponto de vista! Ou melhor, imagine o bem que me faria ter o controle! Mas, ah, não tenho nem a mim mesma sob controle...

Antes que eu rume (?) em algo totalmente aleatório, é hora de encarar os fatos: sou péssima. Uma vaca gorda e egoísta, que não sabe agregar um valor correto pra nada.
Somos educados assim. Morram (primeiro os chineses e os árabes, pra desafogar temporariamente a sociedade).

Não me comovo diretamente com a desgraça alheia, no primeiro momento, o do "impacto". Não me importa se uma menina que nem faz diferença na minha vida foi jogada da puta que pariu. Que bando de intrometidos! Deixem o CSI cuidar disso!

Mas aí, depois do impacto inicial, me vem a célebre pergunta, mais clichê do que gírias da novela das 9: e se fosse comigo?
E se a minha casa alagasse, tremesse, caísse ou o escambal? E se a minha (futura) filha (que, vamos frizar, se chamará Sarah) fosse morta brutalmente pelo cara que me comeu e deveria ter pelo menos um laço afetivo com ela?

Catástrofes alheias me fazem pensar.
A tv -pasme- me faz pensar (!).

Uma curta sensação de que preciso rever meus valores, aprendendo a priorizar o que/quem merece. Pode não dar tempo.
Uma curta sensação de que vale a pena repensar também na reciclagem da minha personalidade, em geral.
Uma curta, muito pequena mesmo, sensação de que preciso amar mais.

Ih, acabou o jornal.
O senso de humanidade também, amassado pela vaca gorda egoísta.
Beatles já morreu, antes eles do que eu!


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