after sex

- Só não baba no travesseiro porque acabei de trocar essa fronha. - ela me disse.
Fiquei pensando em quantas pessoas no orkut acham "fronha" um termo horroroso.
Eu, pessoalmente, gosto de palavras que nos forçam a falar de maneira anasalada. Acho debilmente britânico e ao mesmo tempo regional, simples, algo que Nhá Dita diria.
- Paradoxos são divertidos, não são?
- Ah, tem certeza de que quer discutir sobre isso?

Mais cultural (quase) impossível.


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prato do dia

Meu coração, destrinchado e sucumbido a artérias e veias horrendas, escancaradas. Sangrando, sangrando.
Uma poça de sangue para acompanhar, claro!
Vinho doce, com gosto de grafite. Me rendo a isso.
Caio (do verbo cair).
Imagino um redentor, que beberá do meu vinho e envolverá minhas vísceras nas suas.
Miscelânea de órgãos, tripas (sim, tripas) expostas sem medo algum.
Uma imensa hemorragia compartilhada, conjunta.
Biologicamente poético.
E aí, morro.

"Marcher ensemble, sauter ensemble, c'est parfait.
Tomber ensemble, mourir ensemble, c'est parfait.
Marcher ensemble, sauter ensemble
Tomber ensemble, mourir ensemble
Partir en cendre, ne rien entendre
Finir en sang
Ne plus attendre."


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dê-me um título

Estou atônita.
Minhas mãos tremem em resposta a uma descarga repentina de coisas. Classificamos como "coisa" tudo o que é inclassificável. Tenho dificuldade em sintetizar o que quero dizer, já fiz rasuras até na hora de escrever a data no papel. Não sei como me expressar em palavras, mas de que importa? Depois de meses, quero me expressar de novo. Creio que escrever seja um ato nostálgico demais pra mim, com essa história de remoer idéias e organizá-las. Me arrependo de coisas (inclassificáveis) que fiz e relembrá-las me causava uma dor imensa, mas achava que nunca mais escreveria em paz enquanto não descarregasse todo o meu ano de 2008 numa folha qualquer. Não conseguia. Me parti em pedaços irrecuperáveis. Bobagem. Roubei parte dos outros também. E, enfim, me senti completa de novo, um misto de tudo e nada como todo ser humano.

Hoje, por volta de 18:30 (juro que pensei em um relógio para ver precisamente o horário), vi algo que me chamou atenção. Podem questionar a minha sanidade, ou não, mas depois de ler um bom livro emprestado e me prender a páginas de sentimentos por ladrilhos verdes e vermelhos (mais precisamente 64 ladrilhos, a raiz quadrada de 8), atendi o celular. Era mamãe. Atrapalhava a leitura da penúltima página. Eu sabia desde o início que o cara ia se matar depois de ter transado com a própria filha sem saber, mas queria chegar logo ao fim. Ela falava ao telefone que iria a um buteco no centro - ok, desliga logo. Meu pai estava ao telefone também, ocupando a sala toda com contas. Me pediu pra pegar um ventilador. Peguei. Ao levá-lo, me ative à janela. A primeira estrela saía, exatamente no canto superior da Lua. Entrei em êxtase. Deixei o ventilador no lugar previamente combinado e corri atrás de uma máquina fotográfica. Elas (a Lua e a estrela) estavam exatamente como na bandeira de seiláquais países, como em tatuagens de milhares de pessoas e estampas de várias bijuterias. Só as duas, brilhando impunemente no céu ainda naquela miscelânea de azul, que vemos no começo e no fim de todos os dias por aqui, se quisermos. Achei que aquilo não poderia ser uma estrela pois brilhava muito, mas, em todo caso, foda-se. Sem questões filosóficas de "até quando?". Epistemologia e axiologia que se explodam. Estou, nesse exato momento, no novo ápice da minha própria ontologia. Luaestrela, Turquia. Assistia as reproduções de batalhas épicas entre mouros e cristãos todos os anos possíveis, em uma celebração cultural poconeana. Esperava meses por isso. O castelo, reconstruído todos os anos, caindo em chamas, e a rainha (sempre uma jovem bonitinha de família influente na cidade) sendo raptada... achava um ultraje público! Sempre fiquei do lado dos mouros que, na minha concepção infantil, eram os mocinhos. Nunca apoiei vilões na infância e só o faço hoje em dia por ter o típico desvio rebelde de adolescentes em achar vilões e pessoas problemáticas algo muito sexy. Chorava por camisetas vermelhas, me estrangulava na torcida e acreditava que -pausa pra ver sms no celular. Ouço a música até o fim. Chopin me comove - aquilo era, simplesmente, estar em um contato histórico comigo mesma. Me imaginar, como crenças espíritas das quais eu não concordo atualmente, encarnada num vestido vermelho (o usando, não sendo O vestido), com longos cabelos presos em uma trança sustentada por um fio dourado. Essa lembrança de tempos remotos em que eu gostava de dourado me deixou enérgica, com um senso de passado e futuro impressionante. Enfim entendi que não se pode prosseguir sem resolver o passado. E, bem ou mal, enfrentei 2008 e resolvi, sozinha, todas (ou quase todas) as minhas dúvidas com relação ao que quero. Vou-me embora para a minha Pasárgada, a capital do país (porém, lá não sou amiga do "rei", não suporto petistas), e me renderei ao método tradicional para alcançá-la: estudando. Jamais consegui me dedicar por inteiro a algo, vou daqui a pouco encostar no teclado, o que não faço há séculos. Quando você encontra uma ponta da sua essência, um vasto grau de auto-conhecimento te abrange e te faz parecer aquelas pessoas cheias de problemas financeiros que vão no Apertados, quadro do programa da Eliana, e ganham algo (eu fui irônica com relação a isso, só pra constar). A vida parece ganhar um novo sentido. Nem cheguei na "idade ideal" pra saber o que estou dizendo, mas assim que olhei pro céu muita coisa (inclassificavelmente) ficou clara. E, essa noção repentina da minha Maior Vontade, baseada na tal Lei de Thelema que tanto discuti sexta-feira com uma égua chilena, me assustou. Quero ir embora. E levar minha origem comigo. É mais do que querer tatuar algo marcante na pele (embora eu não queira fazer aquela luaestrela lá, e sim uma flor de pequi). Me encontro numa incapacidade exasperada de me desapegar. Lamento, Dalai Lama. Não sei ser simbólica e não acho que intenções valham demais. Sou muito física, material. E não, não quero levar um pote de areia (embora tenha um com areia do Saara, que veio até mim pelo vento do inverno europeu. Não tente entender). Quero me desprender mas ao mesmo tempo levar meus amores, minha razão de vida. Aprendi, também, que ninguém pode interferir na Maior Vontade alheia. Droga! É seguir a minha sozinha. Só. Me veio uma vontade de clamar por alguém, implorei pro meu pai não sair e choro desesperadamente. Estou embriagada, e não é pelos comprimidos que ingeri nessa hipocondria herdada do meu avô, nem pelo licor de maracujá com bolachinhas que me pus a comer feito louca em um episódio torpe de compulsão alimentar. Estou completa, auto-suficiente psicologicamente. Então, estou temporariamente plena, depois de muito tempo. Estar plena é estar cheia. Não tem o mesmo sentido, eufemismos à parte? Penso em várias coisas, não construo parágrafos. Os pensamentos vêm se empurrando pra serem aliviados, entalando a saída e me deixando com febre.
Céus, vou pirar.
(parede branca, detalhe em vermelho, cartões postais...)


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a tal retrospectiva

Vamos à mania clichê que todos temos de nos lembrar do ano anterior, torcendo pra que nos próximos 365 dias mudemos alguma coisa.

Se tivesse que definir 2008 em uma palavra, seria Impaciência, totalmente! Mais medonho/assustador/confuso/afins do que ver um pincher fodendo uma almofada. Desculpa, tive que usar essa comparação.

Quem sabe em 2009 eu tenha saco pra escrever sobre o período que passou.
Aliás, saco, no sentido conotativo, é o que eu mais peço pro novo ano. Acho que vou fazer umas aulas de sejaláoquefor pra me ajudar a ser mais paciente, que tal? Aí eu abandono essa nostalgia de sentir falta de algumas pessoas que foram vítimas da minha preguiça de tentar me empenhar em amizades.
Enquanto a paciência não chega, paro aqui. Beijosmil e tenham um feliz começo de 2000inove!


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jingle bells, acabou o papel

Então, o meu vestido novo já cheira a tabaco.

É de um cinza cintilante muito, muito estranho. Usarei no casamento de uma prima, no dia 26, com toda a história mística de nascimento do amor depois do Natal... ah, Natal!


Acho que falar sobre como essa data teve seu sentido desvirtuado no decorrer desses anos, além de clichê, é hipócrita.

Adolescentes de classe média adoram escrever a respeito da sua revolta com o consumismo... ah, fodam-se, vocês! Antes mesmo do dia 24 de dezembro estão todos já aproveitando seus presentes ou então reclamando, posto que não ganharam o esperado. E nem venham com seus discursos moralistas pra cima dessa afirmação, pois todo mundo é assim. E é claro que eu me incluo nisso.


Todos precisam concordar com o quanto é emocionalmente gratificante ver o sorriso estampado no rosto de uma criança por algo tão simples, material. É tão fácil deixar alguém feliz, assim! Não que eu goste da ilusão, antes ela à solidão (créditos ao Gustavo, do Ecos Falsos, pela frase).


Na minha família o sentido natalino ainda não foi perdido, amém. O ato de presentear só nos faz lembrar dos reis magos e todas as histórias simpáticas do Novo Testamento. Construímos presépios, comemos demais, cantamos coisas toscas e criamos a ilusão de que somos unidos de verdade, mesmo com o conceito de “família” estar cada vez mais decadente na nossa realidade.

Assumo que não concordo com a frase “nós só podemos contar de verdade com a nossa família”, já que jamais fui chorar as pitangas pra nenhum deles, e sim pra família que eu mesma escolhi, meus amigos. Sei que isso pode ser imaturo, que daqui a um tempo corro o risco de não estar mais ao lado das pessoas com as quais vivo os momentos mais marcantes da minha vida e só vão me restar primos petulantes para chamar de “conhecidos de longa data”, mas não me importo. Amo meus amigos como os irmãos que nunca tive – e nem terei, se meus pais continuarem indiferentes entre si. Mas sentir que estou próxima sanguineamente de algumas pessoas, não importa o quanto todos mudem, me deixa reconfortada. E ver que meus avós, mesmo com tantos netos (lê-se aproximadamente 30), ainda se lembram de me abraçar e me desejar coisas bonitas com o desejo mais sincero de que elas se concretizem, me deixa feliz.


Sim, eu amo o Natal.




ps: é ÓBVIO que o Papai Noel existe. Ou melhor, existiu. Joga São Nicolau no Google. Se tanta gente acredita em tantos santos, por que não acreditar nele? Pare de destruir os sonhos das crianças ao seu redor só porque destruíram o seu.



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maricota

Ela molhou a maldita caixa de fósforos e foi embora!
Meu Deus, que vaca. Agora tenho um monte de farinha na panela e nem ao menos um isqueiro pra acender o fogão.

Definitivamente, não tenho saco pra isso. Ela me persegue pela casa, come tudo o que vê pela frente, insiste em pegar meus jogos de tabuleiro sem nem ao menos saber lê-los ainda, me faz comprar filmes toscos, nem os assiste e me afoga na piscina.
Não vou educar minha filha assim.

A pequena herdou da mãe o pior dos instintos: o capitalismo exacerbado. É uma versão em miniatura daquilo que eu mais repudio, céus. O tipo de pessoa que crê na felicidade encontrada em marcas fodas, coca-cola, aparências e etiquetas enormes pra sustentá-las, onde acabamos pagando pra fazer propaganda pros outros. Quer ser advogada e, com 6 anos, me recrimina por "desperdiçar minha capacidade intelectual" não casando com um cara rico e não fazendo Medicina. Não subestimo, de maneira alguma, a importância de médicos para salvar vidas, mas vê se eu tenho cara de médica mercenária, ah, pelamor! Acho que é a única profissão que eu nunca cogitei em seguir, e olha que já pensei até em Arqueologia. A futilidade já cria raízes na mente da menina. Nojo.

Mas, quando lembro dela olhando pra mim com seu sorriso banguelo e feio, me escapa da memória todos os fatos que me faziam odiá-la.
E quando ela me abraça forte, ao ponto de me estrangular, sinto algo bom me invadindo aos poucos, me enchendo de alegria. Sinto que amo!

Aí ela molha meus fósforos e me deixa aqui, só.
Sinto sua falta, florzinha.
Só não me aparece tão cedo, hein.


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peço férias

Isso talvez pode ser encarado como uma desculpa esfarrapada de uma menina preguiçosa. Ou não.
Encaro como o desabafo de uma vítima do ensino público.

Sinceramente, não aguento mais essa história incompetente de jogar tudo em cima dos alunos no fim do ano. Professores que não conseguem atingir suas metas e fechar as matérias propostas para o ano letivo ficam desesperados no mês de novembro. E sobra pra nós.

Não acho justo, de modo algum, atribuir esse atraso aos alunos e sua indisciplina, até porque temos maturidade (ou egoísmo) suficiente para perceber até onde essa situação nos prejudica e parar, pois ninguém espera continuar em sala de aula no fim do ano, que, por sinal, traz consigo um calor da porra e simplesmente insustentável para os pobres mortais que não estudam com ar-condicionado graças a desvios de dinheiro usados na campanha de diretor geral ou algo assim.
Também não acho que a culpa é de feriados ocorridos durante o ano porque, cá entre nós, é uma ENORME lástima que a maior parte deles tenha caído em fins de semana.
Creio de verdade na falta de comprometimento com o ato de ensinar, que, pra mim, é sagrado. Mágico.
Sonhava em lecionar, mas desisti depois de conhecer o perfil de filhos da puta que receberiam meus pseudo conhecimentos. E eu me incluo nesse perfil. Não respeito professores estagnados e, aparentemente, sem amor pela profissão. Ou será que só estão cansados de alunos mal-educados que passaram sabeselácomo no teste de admissão e não mereciam estar ali? Um pouco dos dois.

Tudo gira em torno do dinheiro e é claro que acho que o salário da classe docente deveria ser mais valorizado, considerada toda a responsabilidade de formar psicologicamente alguém que os pais jogaram em cima das escolas primárias, desde cedo. Mas como pensar em pagar mais pra um cara que mal vai à aula? Pelamor!
Deixo registrado aqui o meu protesto secreto contra o professor de Português, que, na teoria, é minha matéria preferida. O infeliz só deu umas 3 aulas nesse semestre inteiro.
Enfim...
Acaba se tornando um círculo vicioso: o professor não desempenha bem seu papel pois não tem um bom incentivo financeiro para tal e não tem um bom incentivo financeiro porque não desempenha bem seu papel. Fodeu.

Ok, chega. Não estou aqui pra defender nenhum proletário. Esse texto não tem cunho político ou moral nem nada do tipo. É só mais algo fútil colocado aqui.
Esse semestre tá um caos. Ou melhor, o meu mês de novembro. 4º bimestre, ao contrário dos outros colégios, tem o maior peso na média anual.

Professores que sumiram o ano todo querem usar parte das férias pra repôr aulas. Outros aí não sabem resumir de modo eficaz a matéria, tornando seus horários maçantes e insuficientes... sem falar (ou falando agora, como preferir) dos que acham que só a matéria deles existe e que não deveriamos fazer mais nada na vida além de nos matar por Biologia ou o pior de tudo - as MALDITAS Exatas. A budega mais complexa e que acabam complicando mais ainda, fazendo contas "alternativas" que divergem dos resultados do livro e o contestando a cada minuto. Jesus, é o fim.

O fracasso escolar da turma inteira. Medo. É sério.

É gente correndo atrás de nota, dando em cima do professor, parasitando na casa de todo mundo pra sugar o máximo de conhecimento do colega... uma selva.
Ainda fomos surpreendidos (lê-se bombardeados, todos os dias) por campanhas bonitas para a eleição de diretor 2 semanas antes das provas bimestrais, acompanhadas de dezenas de trabalhos, que incluem coisas absurdas como construir motores, pilhas, maquetes de anfíbios gigantes, artigos científicos e muito mais. Tudo pra essa semana.
Quero me desligar. Assim, pifar. Da última vez que isso aconteceu, desmaiei no meio da rua e quase morri, AÊ!

O pior é ir dia 5 de dezembro fazer uma das etapas do vestibular da UnB sem estudar e sem saber se o calendário escolar vai conseguir cumprir seu objetivo e fechar antes de dezembro, se eu não ficar de prova final.
Não estou bem. Quero explodir aquele colégio desorganizado. Votei nulo nessa porcaria de eleição apesar de não apoiar esse tipo de ação. Não suporto ver gente que eu nunca conheci na vida me abraçando do nada. Não tive tempo nem saco pra estudar pra nenhuma prova, saturada de tanta coisa.

DEZEMBRO, CHEGA LOGO, CHEGA!


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o mundo muda

Ventava. Ventava muito.
O vento invadia o apartamento, (com o perdão da rima anterior e) com suas vozes lamentando por não conseguirem aconchego do lado de dentro das paredes. Um lamúrio sem fim.
Isso me assustou, confesso. Não conseguia dormir, então saí pelos cômodos em uma mania irritante adquirida há pouco tempo de ir verificar se todas as portas e janelas estavam fechadas. Uma não estava.

Várias fotos estavam espalhadas pelo chão, arrancadas de uma caixa verde caída no canto. Me pus a guardá-las, ignorando a janela que continuava aberta. A minha curiosidade em ver que situações estariam congeladas ali era maior do que a astúcia ou simplesmente reflexos óbvios que me levariam a fechar a tal janela.

Ventou em mim. Assim, literalmente. Como naqueles clipes dos Backstreet Boys.

Enquanto eu figurava naquela cena tosca, me atrevo a dizer que o vento somado às fotos executaram um ótimo trabalho de me bagunçar inteira. O sentimento de nostalgia que se apodera de nós ao vermos fotos antigas é realmente engraçado, né.
Me deparei com um monte de Eu's esquecidos, em lugares que aparentemente nunca estive e com pessoas que nunca conheci de verdade. Parecia a vida de outra pessoa.

É nessas horas que se percebe o quanto tudo passa (rápido).
Eu só queria contar com alguém pra sempre, sem ter que olhar pra fotos 10 anos depois e não conseguir sequer lembrar do nome de quem sorria comigo.
O mais gritante, na verdade, não é nem o fato de não me lembrar dos outros, mas de não me lembrar de mim. Assim, de não me reconhecer.

Absorvemos coisas do mundo a todo instante e tenho de discordar parcialmente da frase "o mundo muda quando a gente muda". Acho que nós, pobres mortais, é que somos mudados para nos adaptar ao mundo em que vivemos e que o maior erro do ser humano é achar o contrário.
O antropocentrismo é tosco e o que acontece com o clima da Terra atualmente é prova disso.
É claro que podemos mudá-lo (ou pelo menos é o que se espera do senhor Obama), mas somos covardes demais pra isso. Egoístas demais pra correr atrás dos outros, dramatizando tudo quando os perdemos, que nem faço agora.

"Chega um dia que as pessoas mudam, os sentimentos acabam e o coração faz novas escolhas." É extremamente irônico ter que conhecer essa frase vinda de uma pessoa que já foi importante pra mim. Acho que é o destino. Ou não. Fingimos confiar no destino e em Deus pelo simples fato de facilitar nossa busca de respostas do motivo real de estarmos aqui.

Só espero não me arrepender de tudo o que eu abandonei para que essas pseudo-mudanças acontecessem.
Que elas sejam evoluções. Cansei de regredir.
Fechei a janela.


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mãe, mãe, mente, mente

E acordei, no meio da tarde, assustada com a respiração arfante que reinava no quarto, sem saber se vinha de mim ou dela.


Fui pro banheiro, me olhando no espelho e tentando não vomitar os restos da noite anterior. Acabou a água.

Fui ver tv, procurando o mínimo rastro de algum programa decente. Não havia. Odeio a programação de fim de semana.

Fui ler um livro que precisa ser terminado até terça-feira, então. Dormi no sofá.

Fui acordada com ela me perguntando se eu queria sair pra comprar ingressos pra um show. Outro show. Disse que não. Ela foi. Encerra-se aqui o verbo ir no passado.


Saiu sozinha, em silêncio, com um dos meus vestidos preferidos e uma sandália rasteira que me dá calos. Espero que não aconteça o mesmo com a nova usuária.
Dormi de novo, e agora que me restabeleci psicologicamente, uma nova agonia se apodera em mim – ela ainda não voltou.



Achei na internet o novo cd do Ney Matogrosso e fiz download. Eu tinha dito pra ela que queria ir, embora ela insistisse que eu poderia não gostar e não tava em condições de jogar dinheiro fora pra eu depois sair reclamando. Será que ela foi sozinha e me largou jogada no sofá?

Pelo menos não vai poder bancar a groupie com as amigas, o cara é a maior passiva da música nacional. Ok, ok, perde pro Daniel Peixoto. Ok de novo, preciso parar de pensar nisso.



Continuo aqui, podre, no meu pijama florido, esperando algum sinal.

Nada.

Nada.

Nada.

Vou dorm...ah, o telefone! Tchau, vou ver o Ney.



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o mérito e o monstro

Para evitar decepções, não crie expectativas.

Eu cansei. É sério.

Preciso AGORA do momento egoísta que se seguirá nas linhas abaixo, onde tudo gira ao meu redor.

Pela primeira vez, fico sem palavras! Isso não é possível! Hoje foi um dos dias mais lastimáveis que eu já vivi.


Faço tudo pela metade, deixo tudo no meio ou seja lá o que for... tarefas, trabalhos, afazeres domésticos, paixões, um punhado de instrumentos musicais, um monte de esportes, danças e o que mais for imaginável.

E é a primeira vez que eu faço algo por inteiro, assim, por mim, sabe? Sei que isso pode soar hipócrita, mas escrever é o único meio que eu encontrei até hoje pra me sentir plena, sem nenhuma metade faltando. É algo que me deixa bem, e que eu guardo como um tesouro pessoal, independente das opiniões alheias a respeito disso. Não sinto que preciso ser reconhecida por todos, pois só a minha sensação de... não sei o quê (!), o que sinto por estar escrevendo, já me preenche o suficiente.


Sinto-me usada.

Saem coisas minhas de outras bocas, outros se orgulham dos meus atos, todos me fazem parecer que sou apenas uma marionete de algo escondido por trás, que vive em função de parecer bem para ser mostrada. Alguma espécie de modelo psicológico, de exemplo estúpido a ser vangloriado.


Eu não agüento mais! Não quero, definitivamente, que esperem algo de mim, pois não vai adiantar. Não agüento mais ter de me sentir culpada por não ter sido boa o suficiente para os outros. Sei que isso é uma forma de proteção, sei que não fazem isso por mal, mas não esperem que eu continue perdendo o meu tempo dando o meu melhor pra causas futuras. Eu não preciso me sobressair! Por que ainda difundem esse pensamento capitalista de ser sempre o melhor?


Só desejo viver minha vida com anônimos felizes, conhecendo lugares legais, ouvindo boa música e lendo bons livros. Não quero ganhar dinheiro às custas de Meio Ambiente, não quero trabalhar em plataforma petrolífera, não quero ser médica, advogada nem porra nenhuma. Só quero escrever um bocado, é pedir muito? Escrever pra mim! Sem me expor demais, merecendo ou não! Isso tem se tornado um inferno.


Quando tiram um texto meu do meu controle, sinto como se perdesse um filho, mesmo nem sabendo qual é a sensação literal de se perder alguém assim.

Depois de um tempo, é como se não fosse mais, por direito...meu. Como se fosse do mundo, sei lá.

Quero guardá-los, todos, dos (d)efeitos do que existe lá fora, além da minha vã capacidade mental e do meu mundinho bizarro.


Eu sou egoísta, mesmo! Muito egoísta!

Quero que pensem, ao menos um instante, em como eu me sinto com relação a isso, em vez de ficar falando que eu não desempenhei bem o meu papel em público. Quero que as pessoas que eu mais admiro no mundo entendam que eu não estou sendo chata quando faço barulhos incômodos tentando respirar com o nariz entupido, que eu posso, sim, pedir um pouco de atenção sem ser rotulada de carente. Quero que fiquem do meu lado, respeitando a minha opinião com relação ao que eu faço ou deixo de fazer e a minha timidez mórbida que não tem conserto, faz parte da minha personalidade desde sempre. Aliás, quero autonomia pra ter uma personalidade! Não quero viver agradando aos outros, quero viver pra mim!

Ah, quinta-feira, como te invejo! Invejo sua capacidade de me tornar um ser incerto, rumando para qualquer lugar com um sorriso débil no rosto, sem motivo algum. As poucas horas ilusórias em que me tornaste um ser completo, sem obrigações, necessidades, horários, desconhecidos, me valeram por uma vida.

Daria tudo pra que todo dia fosse como aquela quinta-feira.

Daria tudo pra voltar no tempo e guardar meus filhos direito. Só os confio aqui.

Mas, já que é inevitável, vou ter que usar um trocadilho tosco - que brilhem onde estiverem.



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fatores abióticos

Eu, ser humano ocioso, rabiscando no papel em vez de prestar atenção nessas malditas apresentações de Biologia onde a expressão "tipo" é mais usada do que o conteúdo em questão, venho até essas linhas para (di)vagar sobre nada.

Resolvi falar sobre uma coisa que me chamou atenção: o pé do Jonas, sufocado por suas meias que um dia foram brancas e um tênis agressivamente simpático. Ele me manda escrever sobre a influência do Sol na fotossíntese e sua clorofila, agindo sobre o algodão que compõe seus "acessórios de pé", por não pensar em um neologismo adequado para descrever meias.
Não, não vou falar sobre isso. Não que eu realmente tenha mais o que fazer, mas, por mim, o Jonas poderia andar por aí até descalço sem afetar nada na minha vida.

A menos que ele fure o pé, cravando um graveto assassino no calcanhar (acho uma palavra tão diferente!) e vindo correndo (não literalmente, já que não dá pra correr com um graveto fincado no calcanhar) pedir socorro enquanto estudo para alguma prova.

Aí sim, a situação mudaria. Ele foderia o pé e minha nota, que já tá despencando drasticamente desde que eu entrei nesse colégio!
Estou eu realmente preocupada com minhas notas? Continuo a escrever...

Ok, não deveria estar distraída com meu egoísmo na folha de papel que transcrevo pra cá, cujo espaço, enfim, acaba de acabar.
Isso foi, certamente, a coisa mais inútil já escrita aqui.


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issumikansa

Estou aqui, torrando no sol de 14h nessa inóspita Cuiabá. Neurônios derretendo, a cor da pele se confundindo com minha blusa vermelha... e nada muda.

As folhas caindo no inverno de 40ºC dão um clima belamente nostálgico de filme europeu antigo. As pessoas, distantes, parecem nem notar. Ou seria eu estranha demais por perceber? Tanto faz. Só sei que gosto do barulho que as folhas fazem quando são arrastadas pelo mínimo sinal raro de vento que resolve aparecer, constrastando com o calor de merda que assola os habitantes dessa cidade.

Meu rosto, rosado e quase saudável... ah, meu rosto! Parece ter se esquecido totalmente da ausência de pigmentação a mim dedicada durante anos a fio. Minha palidez simpática deu lugar a uma camada horrível de manchas vermelhas isoladas, marcadas pela forma dos óculos que insisto em usar, com uma expressão entediada e sonolenta.
É, talvez seja assim que eu me sinta, apesar de não ter tempo nem pra terminar de ler um livro que peguei na biblioteca no começo da semana.

'tô cansada desse lugar. Cansada dessas pessoas trissexuais egoístas, de ter que acordar cedo todo dia, rumando pra um colégio que é mais desorganizado do que a minha própria cabeça. Cansada também dessas marmitas estranhas que nunca mudam, desse verão constante e desses festivais de narizes sangrando por culpa de chuvas ausentes (ok, relevar essa hipérbole). Dessa vida medíocre nutrindo esperanças de conseguir tudo o que eu quero hoje, ou pelo menos de acreditar que vou sempre querer o que quero hoje. Cansada dessa personalidade inconstante e irremediável, acho.

Cansada de continuar escrevendo.


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Eu não sei onde quero chegar com essa espécie de desabafo.

Odeio admitir (ou não) que sou extremamente careta, mesmo. Imaginava que, abandonando práticas "futeis" e me agregando a essa tal Sociedade Alternativa, conseguiria me identificar, me completar, preencher o vazio que não se preenche com coisas materiais. Não sei de onde tirei isso, não sei explicar enão sei porque continuo a escrever.
Por isso, me inseri nesse meio desde muito cedo, se considerarmos que eu sou uma criança, ou quase. Pessoalmente, não permitiria essas atitudes dos meus filhos assim, tão cedo. Acho que tudo tem limite e, se não me deram isso no momento certo, eu mesma me estabeleço assim agora. Acho...

Enfim, pelamor, essa história de sexo, drogas e rock'n'roll é a maior futilidade disfarçada de rebeldia com alguma causa ouseja lá o que for!

Todos fingindo não ligar pro consumismo ou opinião alheia, mas com a mesma roupa, o mesmo corte de cabelo e até os mesmos gostos, com medo de ser diferente dos amiguinhos! Isso deveria ser uma forma de expressão de idéias aleatórias a sociedade em que vivemos, não mais uma maneira de alienar os que fugiram antes!
Se se sentem maduros com essas atitudes idiotas, é bom saber que, na minha opinião, essa é a maior infantilidade demonstradana adolescência, tanto é que, daqui a pouco isso muda. Fases passam, e acho que a minha tá passando antes do previsto.

Não, eu não vou fumar porque convivo com isso o dia inteiro desde que acordo com o meu pai na sacada até as meninas do colégio que nem sequer tragam, não vou (mais) chegar em casa caindo de bêbada e muito menos virar uma lésbica fashionista pra multiplicar as chances de pegar os outros e criticar a roupa das ex, não!
Se quiser relaxar, vá se masturbar até ter uns 3 orgasmos, se quise rir vá ver algum vídeo engraçado ou comentar sobre ele (geralmente, eu o enceno HAHAH) e se quiser pegar "geral", vá a alguma micareta (aproveite e pegue também herpes ou sapinho ou qualquer anfíbio, que seja!).

Esse lema de porraloucadorock só nos leva a um mundo ainda mais egoísta onde não se precisa de ninguém, só de uma guitarra, alucinógenos e sexo! Ok, isso é bem tentador, né. Mas queira ser menos medíocre!
Eu quero ver todos os filmes do mundo, ler todos os livros e ouvir todas as músicas em todos os lugares possíveis e, principalmente, quero me lembrar deles depois! Ou pelo menos não morrer (muito) antes disso.

"Grandes e pequenos, redondos e triangulares, de qualquer forma são todos quadrados."
Aaaah, Anitelli, como eu te adoro! Sempre com a frase legal.

Ok, nada disso tem sentido. Dias de abstinência de iDoser e paracetamol me deixam louca, tchau.


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newton

Antes de tudo, quero deixar bem clara a minha revolta com aparelhos eletrônicos.

No meio da noite, me deu vontade de escrever um texto sobre como eu sou um fracasso em Física, e, já que não havia papel nem luz por perto, comecei a apertar os botõezinhos do celular. Depois de mais de 2000 caracteres, dormi e no dia seguinte constatei que nada foi salvo.

Tentei reescrever o que eu lembrava aqui, e na hora de postar o blog pediu "log in" e nem ao menos salvou.
Acho que o mundo eletrônico conspira para que eu não fale mal deles já que são exatamente o assunto da minha prova e não tão colaborando com nada.

Maldito foi o dia em que eu meti Deus nisso. Pedi pra me ajudar a estudar, em troca do meu café. Sei que conhecimento gera cultura e vice-versa, e que ambos são quase sinônimos, necessários para evoluirmos da nossa condição de insetos e sermos mais...essência, humanos. Mas Física é tão inútil!
Composta por um monte de caras feios e machistas, resultando em uma vida sexual frustrante, que os fez passar seus dias refletindo sobre maçãs e frestas de luz na janela.

Não subestimo tudo o que criaram e significam, de modo algum, mas não quero isso pra mim!
Como vi ontem numa peça: olha a gravidade da Lei da Gravidade! Como se já não bastassem todas as outras leis que já não funcionam! Pelamor!

Ah, não quero mais escrever. Mais perdida que filho da puta em dia dos pais.


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óbvio ululante

Gosto do Além do Óbvio Ululante que Pulula nas Mentes Humanas, como li há uns 6 anos nas tirinhas do Maurício de Souza e descobri que é baseada no Nelson Rodrigues há uns 2.

Coisas óbvias me irritam, fato.

Pena que descobri isso do nada quinta-feira e o choque me deixou extremamente perplexa com o que eu mesma fiz.

Na volta do francês, esperando o ônibus, por sinal a minha maior base de "análise" social porque consegue juntar os mais diferentes seres em um só lugar, vi um cara com uma camiseta escrita "O futuro está por vir". BROCHEI, CÉUS!
Isso é ainda pior do que "O fogo é fogo e esquenta", convenhamos. Faltava só um amigo do lado com uma regata tosca escrita "O passado já passou".

Logo, pensei: - Mas é claro que está por vir! Tanto é que, na língua francesa, fala-se avenir (a vir, entendeu o trocadilho?)!

Fiquei parada durante uns bons segundos avaliando a camiseta, o tal avenir e o Araketu (?). Devia estar com uma aparência mais grotesca do que o normal, já que, quando voltei a mim e ao mundo, várias pessoas olhavam pra mim com um mixto de medo, curiosidade e riso em suas suadas feições. Não, eu não quero parecer autista nem drogada e muito menos autista agressivamente drogada em plena quarta-feira. Me recompus e subi num ônibus.

Mas, poxa, até o avenir é irritantemente óbvio! Não podem usar nada mais criativo em gramáticas, camisetas ou músicas?

Até mesmo coisas que eu gosto de verdade (não que eu goste de "O fogo é fogo...", ok) estão ficando óbvias demais. Fins de novelas já tem o roteiro todo previsível desde o começo, os filmes estão cada vez mais clichês - CHEGA DE SUPER-HERÓIS AMERICANOS, TRIÂNGULOS AMOROSOS E O CARALHO A (ou de) QUATRO! -, refrões são cada vez mais repetitivos e vazios...

Ai, como eu gosto das coisas complexas! Das indeciões em escolher sabores de sorvetes, dos lugares onde ir, de que absorvente comprar, do que vestir, de que opinião tomar... tenho que admitir: complico demais as coisas. Dificulto até mesmo as mais simples, sim. Mas qual é a graça da vida toda programada e sem um pouquinho de drama, vai? Definitivamente, ser óbvio é perda de tempo.

Como já me disseram - cavalo morto é um animal sem vida.
Reflitam.


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novela

Pra se ter noção, adiei escrever esse texto porque tava vendo a novela das 21h, assim como milhões de brasileiros (ou não, visto que aqui a novela começa 1 horas depois do resto do país). É impressionante como isso me hipnotiza nos momentos de tédio.
Super meu dia-a-dia, isso tudo.

Sempre vejo essas famílias onde o cara não sabe o próprio nome de verdade e vai casar com uma mulher que ele mesmo roubou, que pariu um filho que mais parece com o do vizinho da outra novela. Favelas onde a violência é repugnante, comandada por um ex caminhoneiro e todos convivem sem drôôgas e como irmãos. Universidades particulares sustentando milheres de bolsas de estudo pra quem nem sequer estuda direito, até pra Narizinho do Sítio do Pica-pau Amarelo. Ah, acontece seeeempre por aqui! Pelo menos é o que eles (sinta a complexidade do "eles", uh) querem que pensemos.

Enchem os meios de comunicação com ladainhas inúteis que jamais acontecerão em nossas vidas, nos distraindo e desfocando nossa atenção para o que realmente importa. É a velha polícia do pão e circo. Com tanta criança sem pai, a Globo quer implantar 2 pra uma só. Além de trepar com ferros, confundindo a novela com o Cine Band Privé. Não, eu não sou moderna o suficiente pra achar isso normal. E também não assisto o Cine Band Privé. Lamento.

Caramba, como sou Duas Caras. Falo mal e tô só esperando a propaganda acabar pra continuar assistindo.
Wow, vinheta d'A Favorita! Quem será que matou o cara?


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busão!

" (...)a indiferença da vida moderna."
Frase que acabei de ler num site.
E aí, percebi que essa semana tem me assustado mais do que o previsto. Mais: essa segunda-feira me assustou muito mais do que o previsto. Mais até do que ler em público no domingo.

Todos sabem que estamos caminhando rumo ao individualismo total, mais do que dizem dos franceses. E o fato de um cara da minha sala ter me negado cola há uns dias nem vai influenciar tanto no texto, há!

Céus, o que diabos estamos fazendo?
Na maioria das vezes, eu entro no ônibus (depois de pseudo sofrer tentando chamar a atenção dos cobradores pro meu cartão de estudante) e não falo com ninguém! Passo minutos e minutos do meu dia do lado de pessoas desconhecidas que, sem saber, influenciariam na minha vida, sem ao menos me manifestar! ISSO É RIDÍCULO!
E eu nem ao menos tento falar, quando percebo o olhar blasé de seja lá quem estiver do meu lado, se achando superior a toda a catinga que se espalha naqueles ônibus fétidos com ar condicionado que só faz gastar combustível e impedir que as pessoas saiam pela porta da frente.

Já que eu não falo, ouço! E que se foda quem não ouve nem fala! Morri.
Tava lá, torcendo pra que ninguém sentasse do meu lado pois odeio me distorcer toda pra conseguir sair daquelas cadeirinhas antes do ponto em que desço, quando um mano vidaloka (e que fedia muito! Não é preconceito, JURO! Tava nublado e confortável, como ele poderia fedeeeer? Ok, parei) sentou-se, pra poder conversar com um amigo. Conversavam sobre ontem, o dia das mães. Um deles falava sobre ter ido ao cemitério e eu nem ao menos me comovi, só fiquei imaginando como a senhora em questão deveria ter morrido por bala perdida, a julgar pelo meu sincero preconceito com manos vidaloka (eles estragaram a frase do Cazuza, poxa!).
Quando li a primeira frase dessa porra toda, percebi. Eu tenho mãe!
Não que eu não tenha percebido antes que eu tenho mãe, é claro, mas...não sei, me senti culpada por isso. Culpada pela vida dela.
Não que eu queira minha mãe morta, não!
Mas, de repente, associei minha vida com a dela e a partir daí surgiram redes e redes de pessoas das quais eu dependo, no sentido literal, mesmo. Eu dependo de um monte de gente pra ser assim...eu.

Afinal, todos dependemos ou pelo menos deveríamos depender de alguém, acho.
E aí, o meu desejo adolescente de independência quase se esvaiu por completo, hoje. Como eu poderia achar legal viver sozinha, estudando que nem louca e ainda por cima me sustentar? É insano querer isso!
Sabe-se lá se o Brasil não estaria europeumente (?) desenvolvido se continuássemos a depender de Portugal, se teria tanto hippie no centro da cidade se eles não fossem psicodelicamente toscos com sua própria família, se o meu pai seria rico se ficasse mais tempo no interior ajudando meu avô em garimpos, sabe-se lá o que eu seria sem...mim!
Por que os outros são parte de mim, oras! Não dá pra viver pra sempre em pedaços, não dá pra viver um segundo só estando assim, vazio.
Vazio MESMO. Não esse vazio que sentimos com frequência, por sinal, nas vezes em que estamos solitários, o vazio onde não se sente, pois é...vazio! Já que pensar é um ato, sentir é um fato (saudosa Clarice, eu te amo!), imagine-se estático, vegetalmente oco.
Assim não dá. Admito - Sou uma criança idiota que nunca vai saber se virar e quero a minha mãe agora. Mesmo.

Frase pessoalmente libertadora se repetida em voz alto: EU PRECISO DOS OUTROS, PORRA!

E preciso mandar um beijo pra Elis, também.


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nerd

Sabia. Teria que escrever sobre isso. Só não esperava que fosse tão cedo.

Sou racional demais. Me ensinaram que o amor é uma reação química que causa dependência. Sei lá, gosto de ter uma sensação ilusória de independência, já não é novidade.

E, perder meu auto-controle (ah, como se o possuísse!) me assusta. Não acho, de maneira alguma, que a razão e o sentimentalismo devem se chocar impactantemente, ah, isso não! Ambos sairiam desestabilizados e ficariam lá, instáveis, durante a reação química, demonstrando toda a sua vulnerabilidade.

Ficar vulnerável! De longe, consegue ser minha maior ânsia, se chocando com meu maior anseio.
De modo que, a qualquer mínimo gesto ou palavra, se concentre em mim o apogeu da alegria ou do inferno.

Intensidade. Palavra-chave, talvez. Essa coisa toda sempre me acompanha, tornando bem fácil distinguir pessoas, coisas ou situações: ou amo, ou odeio. Posso até enfatizar um meio-termo, pra não desconsiderar idéias opostamente atraentes, mas é tudo mentira, mesmo que eu negue. Não tem essa propaganda clichê de "tanto faz". Não MESMO.

E...é tão complexo! Não sei confiar, ao ponto de me mostrar frágil e vulnerável, com medo da intensidade dos fatos, até agora, desconhecidos.
Medo de conhecê-los. Ou talvez, com toda a fé focada nisso.

Ah, quanta redundância!
Com açúcar e com afeto, quero uma dependência química.


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ego

Terremotos e enchentes na tv. Eu sobrevivi.
E você também, que tá lendo isso. Ainda não entendo como uma afirmação dessas consegue ser óbvia e relativa ao mesmo tempo.
Enfim, não sei porquê, mas acho que faz bem pra mim (aqui jaz o Português) ver algumas desgraças na vida alheia. Pra não me auto-denominar cruel, direi que de preferência BEM alheia, mesmo.

Famílias desoladas, tendo como único recurso recorrer à mídia pra buscar justiça, ou ao menos tentar melhorar sua situação. A tv! Céus, que desesperador! Depender da grande mídia de massa! Como se eles tivessem o direito de evoluir de instrumento de comunicar notícias para manipuladores mentais e sem princípios!
Ok, vou ao que me incomoda logo, antes que acabe demonstrando (mais) nitidamente a minha inveja com relação à mídia. Ter o poder de manipular mais do que a Igreja Medieval ou a Globo é algo que anseio, confesso. Imagine o bem que faria aos outros ver o mundo sob o meu ponto de vista! Ou melhor, imagine o bem que me faria ter o controle! Mas, ah, não tenho nem a mim mesma sob controle...

Antes que eu rume (?) em algo totalmente aleatório, é hora de encarar os fatos: sou péssima. Uma vaca gorda e egoísta, que não sabe agregar um valor correto pra nada.
Somos educados assim. Morram (primeiro os chineses e os árabes, pra desafogar temporariamente a sociedade).

Não me comovo diretamente com a desgraça alheia, no primeiro momento, o do "impacto". Não me importa se uma menina que nem faz diferença na minha vida foi jogada da puta que pariu. Que bando de intrometidos! Deixem o CSI cuidar disso!

Mas aí, depois do impacto inicial, me vem a célebre pergunta, mais clichê do que gírias da novela das 9: e se fosse comigo?
E se a minha casa alagasse, tremesse, caísse ou o escambal? E se a minha (futura) filha (que, vamos frizar, se chamará Sarah) fosse morta brutalmente pelo cara que me comeu e deveria ter pelo menos um laço afetivo com ela?

Catástrofes alheias me fazem pensar.
A tv -pasme- me faz pensar (!).

Uma curta sensação de que preciso rever meus valores, aprendendo a priorizar o que/quem merece. Pode não dar tempo.
Uma curta sensação de que vale a pena repensar também na reciclagem da minha personalidade, em geral.
Uma curta, muito pequena mesmo, sensação de que preciso amar mais.

Ih, acabou o jornal.
O senso de humanidade também, amassado pela vaca gorda egoísta.
Beatles já morreu, antes eles do que eu!


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Me lembro agora de como você se encolia de bunda pra cima com medo ou cansada de chorar.

Do seu rosto, inchado e desolado, buscando apoio no reflexo do espelho, talvez a procura em vão da razão perdida por tão pouco, de novo e de novo.
Até mesmo das vezes em que tentava entender o que faz uma criança buscar a razão. Porque é isso o que você quer! Ter, dominar e descartar simultaneamente qualquer vestígio de razão, quando perceber que não tem nenhuma utilidade. Afinal, uma criança não precisa de razão, ela nunca é levada a sério mesmo!

Mas você? Não! Seu problema é ser sempre fria e racional demais!
Não poderia ser igual aos outros?
Certamente, sofreria bem menos se não pensasse no sofrimento, se não pensasse em si, se não pensasse em nada. Se, por alguns segundos de presente pra si mesma, não pensasse. Só.

Agora pegue uma roupa bonita, talvez a melhor delas, me ignore e fuja, de si mesma ou seja lá de quem for.
Vá comprar o seu maldito café.


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